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Do plano macabro para roubar 70 mil euros a um amigo à tentativa de viver como nómada digital na Indonésia: toda a história de Mariana Fonseca

20 mar, 23:30
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Plano engendrado com a namorada Maria Malveiro quase que resultava, mas a Relação e o Supremo decidiram de outra forma. Pelo meio, a agora ex-enfermeira decidiu fugir

Condenada a 23 anos de prisão por homicídio, Mariana Fonseca fugiu de Portugal assim que teve oportunidade, tendo conseguido escapar às autoridades durante cerca de um ano e meio.

Passado todo esse tempo, chegou esta semana Portugal, onde já está a cumprir a pena por um crime que também envolveu o desmembramento de um engenheiro informático de apenas 21 anos de quem a jovem se dizia amiga.

Mariana Fonseca vai passar os próximos 23 anos na prisão de Tires, sendo que a perspetiva de sair mais cedo por bom comportamento se agravou por causa da fuga, que constitui uma mancha negra na conduta da homicida condenada.

Para a achar, as autoridades portuguesas contaram com a colaboração essencial da Indonésia, onde a ex-enfermeira se tinha refugiado para fugir à polícia, trabalhando desde então num café, mas sempre em situação ilegal.

A fugitiva, agora 29 anos, ainda alegou estar em situação legal com um visto de nómada digital, mas acabou mesmo apanhada pela Interpol em Jacarta, ao abrigo de um mandado de captura internacional.

Ainda na Indonésia foi entregue a uma inspetora da Polícia Judiciária que, em conjunto com dois inspetores das autoridades locais, a trouxe de volta a Portugal, depois de o país asiático a ter deportado.

Mariana Fonseca aproveitou uma indecisão da justiça portuguesa para fugir do país, refugiando-se na Indonésia, onde acabou apanhada. Depois de o Tribunal de Portimão a ter absolvido do crime do homicídio do amigo Diogo Gonçalves, um jovem engenheiro de 21 anos, em 2020, em coautoria com Maria Malveiro, de quem era namorada.

O Tribunal da Relação de Évora acabou por reverter a pena, condenando a agora ex-enfermeira à pena máxima de 25 anos. O Supremo Tribunal de Justiça acabou por confirmar a decisão, reduzindo ainda assim para 23 anos a pena a cumprir.

Crime macabro

A primeira sentença resultou logo numa condenação pesada para Maria Malveiro, que acabou por ser encontrada sem vida na prisão, depois de ter sido condenada com apenas 20 anos de idade.

Na altura, Mariana Fonseca, então com 24 anos, foi ilibada do crime de homicídio qualificado, mas ainda assim foi condenada a quatro anos de prisão efetiva pela coautoria de um crime de profanação de cadáver (um ano e 10 meses), burla informática e de comunicações (um ano e seis meses) e um crime de peculato (um ano e seis meses).

A Relação de Évora e o Supremo depois disso acabariam por reverter a decisão, mas foi nesse hiato que a ex-enfermeira aproveitou para se escapulir do país.

Na leitura do acórdão inicial, o mesmo que ilibava Mariana Fonseca dos crimes mais graves, a presidente do coletivo que julgou o caso afirmou que o tribunal deu como provado que Maria Malveiro matou Diogo Gonçalves, embora não tenha conseguido provar a participação no homicídio da outra arguida, Mariana.

O tribunal deu como provado que a dupla engendrou um plano para roubar 70 mil euros à vítima, valor que tinha recebido como indemnização pela morte da mãe, que foi atropelada em 2016. Depois de o drogarem com diazepam, droga obtida por Mariana Fonseca, mataram Diogo Gonçalves pelo método de asfixia em casa da vítima.

De seguida, cortaram dois dedos do corpo, transportando depois o cadáver para a sua casa, já depois de terem limpado o local do crime.

No próprio dia do crime fizeram transferências bancárias para as suas contas através do telemóvel da vítima, utilizando para isso os dedos que lhe tinham cortado e que serviram para desbloquear o telemóvel.

Depois, Maria Malveiro terá ido a um supermercado comprar um cutelo, com o qual mais tarde desmembrou o resto do corpo de Diogo, que foi colocado em vários sacos.

Mariana Fonseca acabou por ser considerada culpada de tudo isto, numa pena pesada que vai agora começar a cumprir.

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