Pianista Maria João Pires sofre AVC

9 jun 2025, 17:40
Maria João Pires (Armando Franca/AP)

O problema de saúde terá, contudo, sido “ligeiro”, mas obrigando, ainda assim, ao cancelamento de alguns concertos

A pianista portuguesa Maria João Pires, de 80 anos, sofreu uma Acidente Vascular Cerebral (AVC) “ligeiro”  e viu-se obrigada a cancelar diversos concertos que estavam agendados, nomeadamente para o Festival de Sintra e no Teatro das Figuras, em Faro, bem como uma atuação no Theatro Circo, em Braga, já esta sexta-feira, 13 de junho. 

A informação foi, aliás, adiantada, em comunicado, pela sala de espetáculos bracarence. “A pianista Maria João Pires sofreu um AVC ligeiro, o que a impossibilita de cumprir as datas para os concertos agendados em Portugal", informou o Theatro Circo.

Maria João Pires é uma pianista portuguesa de renome internacional, reconhecida pela sua interpretação poética e sensível do repertório clássico, especialmente das obras de Mozart, Schubert, Beethoven e Chopin. Nascida em Lisboa a 23 de Julho de 1944, começou a estudar piano ainda em criança, tendo dado o seu primeiro concerto público aos cinco anos. Formou-se no Conservatório Nacional e prosseguiu os estudos na Alemanha, em Munique e Wiesbaden, onde aprofundou o seu domínio técnico e expressivo.

Ao longo de uma carreira com mais de cinco décadas, Maria João Pires apresentou-se nas mais prestigiadas salas de concerto do mundo e colaborou com maestros como Claudio Abbado, Riccardo Chailly e Daniel Harding. É conhecida por evitar o estrelato mediático, preferindo uma relação íntima e introspectiva com a música. A sua discografia, aclamada pela crítica, inclui gravações emblemáticas para a Deutsche Grammophon, destacando-se as interpretações das sonatas de Mozart e das peças líricas de Schubert.

Para além da carreira internacional como intérprete, Maria João Pires tem-se dedicado intensamente ao ensino e à formação de jovens músicos. Fundou em Belgais, na Beira Baixa, um centro para o estudo das artes, onde promove projectos educativos que aliam música, ética e desenvolvimento pessoal. O seu trabalho pedagógico reflete uma visão humanista da arte, em que a técnica está sempre ao serviço da expressão e do encontro com o outro.

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