Ministra da Agricultura diz que esclarecerá no Parlamento polémica com a CAP

Agência Lusa , AM
13 ago, 14:59

Confederação dos Agricultores de Portugal classificou como “perplexizantes” as declarações da ministra da Agricultura e defendeu carecerem de explicação. Maria do Céu Antunes diz que o fará no Parlamento

A ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, disse este sábado, em Torre de Moncorvo, distrito de Bragança, que aguarda a ida ao Parlamento para esclarecer as suas declarações sobre a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

“Sobre esta matéria não tenho mais nada a acrescentar. Aguardo a minha ida ao Parlamento para esclarecer aquilo que disse e aquilo que outros disseram. Mas, verdadeiramente, para poder elucidar os senhores deputados e os portugueses do trabalho do Governo, e do Ministério da Agricultura em particular, para fazer face ao momento difícil que vivemos", disse Maria do Céu Antunes.

Na quarta-feira, instada pelos jornalistas a responder a críticas dirigidas à tutela pelo secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que disse ser “inexistente” a resposta do Governo para mitigar o impacto da seca no setor da produção e alimentação animal, a ministra devolveu a pergunta.

“É melhor perguntar porque é que durante a campanha eleitoral a própria CAP aconselhou os eleitores a não votar no Partido Socialista”, retorquiu.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) classificou como “perplexizantes” as declarações da ministra da Agricultura e defendeu carecerem de explicação.

Na sequência, a Iniciativa Liberal apresentou um requerimento para ouvir no parlamento a ministra da Agricultura sobre a resposta da tutela à situação de seca no país, criticando as declarações de Maria do Céu Antunes, enquanto o Chega exigiu "um pedido formal de desculpas” à Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e aos agricultores.

As declarações de Maria do Céu Antunes foram também condenadas pelo secretário-geral do PSD, Hugo Soares, que classificou como “descabelada” a reação da ministra da Agricultura às críticas da CAP.

Entretanto, em declarações à CNN Portugal, Luís Mira, Secretário-Geral da CAP - Confederação dos Agricultores Portugueses, insistiu que os agricultores ainda não receberam os apoios prometidos pelo Estado para combater a seca e no âmbito da guerra na Ucrânia. O dirigente queixou-se ainda de bullying político. "Estamos a ser discriminados em relação aos agricultores na Europa. Recebemos muitos anúncios, mas nenhum dinheiro".

Governo disponibiliza 500 mil euros para agricultores afetados por incêndios

A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, anunciou que serão atribuídos 500 mil euros aos agricultores afetados pelos incêndios, através de novo despacho do Governo.

“Este despacho foi assinado ontem [sexta-feira] e atribui 500 mil euros aos agricultores afetados pelos incêndios para os ajudar na alimentação animal. Estamos também a distribuir açúcar pelos apicultores afetados, com a colaboração das direções regionais de agricultura”, concretizou a governante na ExpoMocorvo, que decorre em Torre de Moncorvo.

Por outro lado, Maria do Céu Antunes disse ainda que foi prorrogado o prazo, a pedido das confederações [da lavoura], para a atribuição de cerca de 27 milhões de euros a setores como os da suinicultura, do leite, das aves e dos ovos.

Maria do Céu Antunes disse ainda que, na sequência de trabalho com as confederações, serão atribuídos, no âmbito do desenvolvimento rural e com verba do Orçamento de Estado de cerca de 57 milhões de euros, apoios a vários setores agrícolas, “seja a hortofloricultura, os pequenos ovinos, caprinos ou bovinos ou ainda a culturas temporárias, permanentes, de sequeiro ou regadio”.

Segundo a ministra, são montantes que podem ajudar os agricultores no período pós covid-19, com o problema da seca ou consequências da guerra na Ucrânia.

Outra das promessas deixadas pela ministra passa pela aposta em regadios coletivos e mais eficientes na região transmontana, em articulação com os autarcas locais.

Ao nível dos apoios às raças autóctones, Maria do Céu Antunes, deixou a garantia de que no próximo ciclo de investimentos haverá um aumento de cerca de 60% aos produtores.

“Atualmente, as raças autóctones têm um apoio de 15 euros por animal, e o qual passará no próximo ciclo de investimentos para os 24 euros por cabeça”, disse.

Para o autarca de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves, estas medidas anunciadas durante a Expomoncorvo são bem-vindas, “mas não se podem perder nas teias da burocracia, já que se trata de um território de população envelhecida”.

A ExpoMoncorvo decorre ao longo de todo o fim de semana e junta uma centena de expositores, com destaque para a agropecuária e raças autóctones.

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