"Os Estados Unidos e a Europa pertencem um ao outro": Marco Rubio quer tornar o Ocidente grande outra vez, sob a batuta de Trump

CNN Portugal , MJC
14 fev, 09:13

O secretário de Estado norte-americano aponta erros na política económica e critica a abertura à migração em massa. "Cometemos estes erros juntos", disse, em Munique, acrescentando que, juntos, os EUA e a Europa devem agora aos seus povos avançar e reconstruir. Com Trump, os EUA pretendem assumir a tarefa de renovação e restauro. "Embora estejamos preparados, se necessário, para o fazermos sozinhos, preferimos fazê-lo em conjunto convosco", disse, dirigindo-se aos líderes europeus presentes na plateia

"Os Estados Unidos e a Europa pertencem um ao outro", disse o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, na Conferência de Segurança de Munique, referindo-se à aliança histórica entre os EUA e a Europa. "O destino da Europa nunca será irrelevante para o nosso."

Tal como Donald Trump, Rubio criticou a política económica da Europa: enquanto outros países investiram nas suas próprias economias, nós – o Ocidente – temos externalizado cada vez mais a nossa soberania. Enquanto os concorrentes investem em petróleo, o Ocidente investe em políticas que empobrecem o seu povo. Além disso, também se abriu a uma onda de migração em massa sem precedentes, que, segundo Marco Rubio, ameaça o nosso futuro. “A migração em massa não é, nem nunca foi, uma preocupação marginal com poucas consequências”, disse, alertando que a migração está a “transformar e a desestabilizar as sociedades de todo o Ocidente”.

Sobre a segurança das fronteiras, o secretário de Estado afirmou que o Ocidente pode prosperar, mas apenas se controlar as suas fronteiras. “Isto não é uma expressão de xenofobia. Não é ódio. É um ato fundamental de soberania nacional, e a falha em fazê-lo não é apenas uma abdicação de um dos nossos deveres mais básicos para com o nosso povo. É uma ameaça urgente ao tecido social e à própria sobrevivência da nossa civilização.”

"Cometemos estes erros juntos", disse, acrescentando que, juntos, os EUA e a Europa devem agora aos seus povos avançar e reconstruir. Com Trump, afirmou Marco Rubio, os EUA pretendem assumir a tarefa de renovação e restauro. "Embora estejamos preparados, se necessário, para o fazermos sozinhos, preferimos fazê-lo em conjunto convosco", disse, dirigindo-se aos líderes europeus presentes na plateia.

O discurso de Rubio representa uma grande mudança em relação ao ano passado, quando o vice-presidente JD Vance, no mesmo palco, lançou um ataque aos líderes europeus, por dependerem excessivamente do apoio americano e acusando-os de censurar a liberdade de expressão e de não controlar a imigraçã,. mas não abriu quaisquer portas à coooperação.

"Numa altura em que os títulos anunciam o fim da era transatlântica, que fique claro para todos que este não é o nosso objetivo nem o nosso desejo, porque para nós, americanos, a nossa casa pode estar no Hemisfério Ocidental, mas seremos sempre filhos da Europa", disse Rubio.

"Fazemos parte de uma única civilização – a civilização ocidental", disse, acrescentando que a Europa e os EUA estão ligados tanto económica como culturalmente. "A Europa precisa de sobreviver". E recebeu uma salva de palmas ao afirmar: "O nosso destino estará sempre entrelaçado com o vosso".

Sobre a questão da aliança europeia-americana, Rubio sublinha: “Não queremos que os nossos aliados sejam fracos, porque isso torna-nos mais fracos."

"Queremos aliados que se possam defender, para que nunca nenhum adversário se sinta tentado a testar a nossa força coletiva. É por isso que não queremos que os nossos aliados estejam agrilhoados pela culpa e pela vergonha. Queremos aliados que se orgulhem da sua cultura e da sua herança, que compreendam que somos herdeiros da mesma grande e nobre civilização e que, juntamente connosco, estejam dispostos e aptos a defendê-la. É por isso que não queremos aliados que racionalizem o status quo falido em vez de lidar com o que é necessário para o corrigir. Pois nós, nos Estados Unidos, não temos qualquer interesse em ser zeladores educados e ordeiros do declínio controlado do Ocidente", disse.

Nas suas palavras, os EUA desejam “uma aliança revigorada que reconheça que o que aflige as nossas sociedades não é apenas um conjunto de más políticas, mas um mal-estar de desesperança e complacência”. E sublinha: “Numa altura em que os títulos anunciam o fim da era transatlântica, que fique claro para todos que esse não é o nosso objetivo nem o nosso desejo, porque, para nós, americanos, a nossa casa pode estar no hemisfério ocidental, mas seremos sempre filhos da Europa”.

Marco Rubio afirmou ainda que, embora as antigas organizações internacionais não necessitem de ser desmanteladas, precisam de ser reconstruídas e reformadas com urgência para enfrentar os novos desafios. "As Nações Unidas (ONU) ainda têm o potencial enorme para ser um instrumento para o bem no mundo, mas não têm respondido a algumas das questões mais prementes da atualidade", provando serem “impotentes” vezes sem conta, disse, dando como exemplo a necessidade de os EUA conseguirem uma trégua frágil em Gaza e a liderança americana para levar a Ucrânia e a Rússia à mesa das negociações.

“Num mundo perfeito, todos estes problemas e muitos outros seriam resolvidos por diplomatas e resoluções contundentes. Mas não vivemos num mundo perfeito e não podemos continuar a permitir que aqueles que ameaçam flagrante e abertamente os nossos cidadãos e põem em perigo a nossa estabilidade global se protejam atrás de abstracções do direito internacional que eles próprios violam rotineiramente.”

Especificamente sobre a guerra na Ucrânia, Rubio rejeita a sugestão do moderador de que os russos não estão interessados ​​nas negociações: "Não sabemos", afirmou já no período de perguntas e respostas.  "Dizem que estão, e em que termos estariam dispostos a negociar, e se conseguiremos encontrar termos aceitáveis ​​para a Ucrânia que a Rússia aceitará sempre, mas continuaremos a testar". Entretanto, os EUA e a Europa devem continuar a tomar medidas para pressionar a Rússia a negociar. Rubio garante que os EUA conseguiram "fazer progressos" nas negociações e que estão agendadas novas discussões para terça-feira.

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