“Sou de uma estabilidade institucional total”. Marcelo rejeita fazer cair o Governo

CNN Portugal , DCT
6 jan, 19:41

Sobre a criação de um mecanismo de verificação no processo de indicação de governantes anunciado quinta-feira por António Costa no debate de moção de censura ao Governo, o Presidente da República disse que recebeu uma carta de António Costa e que responderá pela mesma via.

O Presidente da República disse, esta sexta-feira, que não tem intenção de fazer cair António Costa, apesar das recentes polémicas e das 11 demissões por questões políticas que ocorreram em apenas nove meses de Executivo. “Sou de uma estabilidade institucional total”, vincou, frisando que a dissolução do Parlamento não está em cima da mesa.

Tive a ocasião de dizer antes de ir para o Brasil [para a tomada de posse de Lula da Silva] que não sou defensor de situações de crise que conduzam à interrupção da atividade governativa. Não sou. Não há razão nenhuma para ter mudado de opinião neste espaço de tempo, mantenho exatamente a mesma opinião”, afirmou.

No entanto, sublinhou o chefe de Estado, “é preciso que o governo governe, que tenha os instrumentos para governar e que encontre soluções, de acordo com os juízos políticos do primeiro-ministro para prosseguir esse objetivo”.

Quando questionado sobre o facto de os portugueses poderem achar que Marcelo Rebelo de Sousa desautorizou António Costa - por ter dito que Carla Alves era um peso político negativo, quando o primeiro-ministro disse, na Assembleia da República, que não havia motivos para demitir a secretária de Estado -, Marcelo Rebelo de Sousa apenas disse: “não vou entrar onde querem que eu entre”, rejeitando, assim, comentários e dizendo que a situação da ministra da Agricultura é “uma matéria ultrapassada” e que “cada membro do Governo é livre de fazer a sua apreciação” a qualquer momento.

“Uma coisa que os portugueses sabem é que sou de uma estabilidade em termos institucionais total”, frisou, justificando-se que mesmo vindo “do centro-direita” viabilizou “durante quatro anos um governo de centro-esquerda mais à esquerda” e depois “um governo de centro-esquerda com apoio que não foi tão duradouro quanto se desejaria de partidos situados à sua esquerda”. Quanto ao Governo de maioria absoluta, Marcelo voltou a dizer que iria “continuar por definição a posição do Presidente da República” que até agora teve e que é de estabilidade, dando como argumentos a necessidade dessa estabilidade por se estar em tempos de guerra e crise económica.

Não contem com a ideia de dissolver o Parlamento. Não contem comigo para isso”, vincou.

Aos jornalistas, após discursar no auditório da Fundação Champalimaud a propósito dos 50 anos do semanário Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que a secretária de Estado da Agricultura entendeu que “havia razões políticas” para apresentar a demissão, escusando-se a responder se acredita que a demissão aconteceu depois de se ter pronunciado sobre o assunto.

Sobre a criação de um mecanismo de verificação no processo de indicação de governantes anunciado quinta-feira por António Costa no debate de moção de censura ao Governo, o Presidente da República disse que recebeu uma carta de António Costa e que responderá pela mesma via.

“O objetivo de todos é, primeiro, que o escrutínio seja garantido, o acompanhamento por todos os cidadãos e comunicação em particular. Segundo, também estamos de acordo quanto à necessidade de que o Governo governa”, defendeu.

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