Marcelo avisa sobre escolha de novos ministros: resultado "cairá em cima do primeiro-ministro"

ECO - Parceiro CNN Portugal , Flávio Nunes
3 jan, 09:43
Marcelo Rebelo de Sousa em Londres, para o funeral da rainha (Lusa/Nuno Veiga)

Presidente da República vai responsabilizar o primeiro-ministro pelo que vier a ser o resultado da remodelação do Governo anunciada esta segunda-feira. Se falhar, "retiraremos daí as conclusões"

O Presidente da República responsabilizará o primeiro-ministro pelo que vier a ser o resultado da remodelação anunciada esta segunda-feira, entendendo que António Costa escolheu o caminho de “não inovar” e “mexer o mínimo possível”.

“É o primeiro-ministro a escolher e, naturalmente, ao escolher, conforme os resultados, assim será um sucesso ou não. Isso cairá em cima do primeiro-ministro”, avisou Marcelo Rebelo de Sousa, minutos depois de ter aterrado no aeroporto de Lisboa, vindo do Brasil.

O Chefe de Estado foi ainda mais longe e subiu a parada: “Se funcionar, é uma boa ideia. Se não funcionar, retiraremos daí as conclusões”, afirmou, sem detalhar quais poderão ser as consequências.

Em causa está a opção tomada pelo primeiro-ministro depois da demissão do ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, na sequência da polémica atribuição de uma indemnização de meio milhão de euros à ex-administradora da TAP Alexandra Reis, que entretanto tinha tomado posse como secretária de Estado do Tesouro do atual Governo (demitiu-se a pedido do ministro das Finanças, Fernando Medina, também por causa deste caso).

Na segunda-feira, António Costa revelou que esta pasta será dividida em dois Ministérios, com João Galamba (até aqui secretário de Estado da Energia) a ser promovido a ministro das Infraestruturas e Marina Gonçalves (até aqui secretária de Estado da Habitação) a passar a ministra da Habitação.

Numa extensa conferência de imprensa, António Costa respondeu às perguntas dos jornalistas sobre a situação no Governo. Marcelo Rebelo de Sousa tinha ido ao Brasil assistir à tomada de posse do homólogo Lula da Silva e disse esta terça-feira que ainda não teve “oportunidade” de assistir às declarações do primeiro-ministro português. Ainda assim, o Presidente da República não poupou nos comentários, considerando que o “critério” seguido por Costa foi recorrer à “prata da casa” para “não mexer muito naquilo que existe”.

“Cabe ao primeiro-ministro escolher o caminho. Ou escolhe o caminho para aproveitar uma situação destas para inovar, para mudar, ou para continuar e mexer o mínimo possível”, referiu.

“A minha sensação é que preferiu a ideia de ser o que menos mexia, recorrer a membros do Governo para mudar de pasta [no caso de Galamba] ou fazer uma valorização da pasta no caso da Habitação em termos de continuidade governativa, acreditando que assim se perde menos tempo e se garante aquilo que acha fundamental, que é não parar os processos em curso”, explicou o Presidente da República, em declarações transmitidas pela RTP3. “Foi o caminho escolhido pelo primeiro-ministro: não inovar”, acrescentou.

Dito isto, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para lembrar que “há processos importantes”, como o da expansão do aeroporto de Lisboa (“se já em janeiro tem dificuldades de congestionamento e parqueamento, imagine-se em agosto”, disse) e o da ferrovia (um “grande projeto para lançar”).

"Faz parte do Governo e é responsabilidade do Governo governar. Portanto, acho que é o que devem fazer: o Governo governar, e governar cada vez melhor, e a oposição criticar, e criticar cada vez melhor.”

Confrontado com as críticas de alguns partidos — como o Chega, que criticou Marcelo por ter dado posse a João Galamba, citando investigações em curso por causa da atribuição das concessões do lítio –, o Chefe de Estado respondeu que “só não aceita nomes propostos pelo primeiro-ministro se houver objeções de fundo, constitucionais, legais, jurídicas, que determinem isso”.

E, desta forma, concluiu: “Acho que faz parte da atuação da oposição o criticar e ser exigente com o Governo. Faz parte do Governo e é responsabilidade do Governo governar. Portanto, acho que é o que devem fazer: o Governo governar, e governar cada vez melhor, e a oposição criticar, e criticar cada vez melhor.”

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