Presidente avisa que se trata de um caso "muito sensível para o prestígio das instituições"
O Presidente da República espera que avance com celeridade a investigação a um grupo de militares da GNR e a um agente da PSP detidos por suspeita de escravizarem migrantes.
Marcelo Rebelo de Sousa começou por frisar que não comenta “casos concretos” nem investigações em curso, “uma vez que é uma investigação feita por entidades policiais e que aparentemente respeita a atuações criminosas”. E acrescentou: “Veremos se são ou não”.
O Presidente deixou um apelo firme à Justiça. “Aquilo que eu diria aqui, como tenho dito noutros casos na Justiça, é que conviria que fosse, na medida possível, rápida a investigação.”
A partir do Congresso Comemorativo dos 50 anos da CAP, onde tinha agendado um discurso, o Presidente insistiu repetidamente que a lentidão do setor pode agravar os danos institucionais. “Tudo o que fosse um processo respeitando o que a lei prevê, mas rápido, é importante. Nós não podemos ter a noção de que só um ano, dois anos, três anos, quatro anos, cinco anos depois é que se vem a apurar, quando se apura, matéria que é muito sensível para o prestígio das instituições.”
O chefe de Estado explicou de imediato o motivo dessa urgência. “Rápida porquê? Por duas razões. Porque os crimes invocados são graves e, segundo, porque estão envolvidos efetivo aos serviços de instituições importantes, muito importantes na sociedade portuguesa.”
Para o chefe de Estado, está também em causa o impacto público deste caso. “Não é só a reputação dos próprios investigados, não é só a gravidade da matéria que é invocada, mas é a reputação dessas instituições e a sua credibilidade.”
Marcelo reconheceu ainda que este caso “afeta” a imagem das autoridades, afirmando que “o prestígio das autoridades fica afetada, neste caso o da GNR”, recordando também “um caso de natureza diferente que envolve bombeiros”.
Por isso, sublinhou, é essencial acelerar todas as diligências. “Para que não fique afetada a credibilidade de instituições que são essenciais para a nossa vida coletiva é que esta investigação, este tipo de investigação, tem de ser rápida.”
Esta sexta-feira, uma operação da Polícia Judiciária no distrito de Beja revelou um dos cenários mais graves de exploração de trabalhadores migrantes dos últimos anos. Dez militares da GNR, um agente da PSP e seis civis foram detidos esta terça-feira após buscas domiciliárias e profissionais, numa investigação sobre crimes violentos ligados à exploração laboral de migrantes indostânicos em propriedades agrícolas da região. Segundo apurou a CNN Portugal, o epicentro da operação é a freguesia de Cabeça Gorda.