Marcelo diz que está "em risco de violar regra": "Decidiram que os políticos não deviam ir para o terreno em situações de crise. Não concordei, não concordei"

30 jan, 21:20
Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente diz que decidir mesmo ir para o terreno para ver o impacto da tempestade

O Presidente da República esteve esta sexta-feira no terreno, em Leiria, a acompanhar de perto os efeitos provocados pela tempestade Kristin, sublinhando que a recuperação das zonas atingidas exigirá um trabalho continuado e articulado entre os vários níveis de poder.

Durante a visita, o chefe de Estado considerou essencial que os responsáveis políticos estejam próximos das populações afetadas, assumindo que discordou da opção de afastar decisores do terreno durante a fase crítica da emergência.

“Foi tomada uma decisão de que os políticos não deviam ir para o terreno. Não concordei, não concordei mas respeitei, porque respeito as regras”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, recordando as críticas de que foi alvo em "2016, 2017 e 2019". “Fui muito atacado, porque diziam que os políticos só prejudicam no terreno. Mas como é que prejudicam? Se eles não estão lá, ficam os autarcas sozinhos”, questionou.

"O senhor presidente [de Leiria] é testemunha. Ligou-me e perguntou: porque não vem esta noite? E eu disse-lhe que por mim vinha, mas vou estar a violar uma regra que existe”, conta, lembrando que assim que o Governo avançou, decidiu ir até ao terreno. “A certa altura disse: embora esteja em risco de violar a regra, eu vou para o terreno”, acrescentou ainda aos jornalistas.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda a necessidade de uma coordenação estreita entre o poder local e o poder central, defendendo a definição clara de prioridades na resposta à crise. “É preciso a colaboração entre os autarcas e o poder a nível nacional, que se faça um levantamento com prioridades temporais, para perceber o que é urgentíssimo. Há coisas que são urgentíssimas: haver eletricidade, haver 112, haver água. Essas são as prioridades.”

Marcelo Rebelo de Sousa esteve esta sexta-feira em Leiria, onde se reuniu com os autarcas locais para acompanhar no terreno os impactos provocados pela depressão Kristin. À chegada, o chefe de Estado ouviu de imediato o retrato de uma população exausta e sob forte pressão.

“O principal problema é a falta de energia”, disse Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria, a Marcelo Rebelo de Sousa. “O nível de ansiedade das pessoas está a crescer. Dois dias sem poder tomar banho, dias sem cozinhar.”

No encontro, Gonçalo Lopes assumiu que os estragos provocados pela depressão Kristin alteraram profundamente a governação local. “Já estamos preparados: o nosso mandato e as nossas prioridades vão ser todas alteradas”, afirmou ao Presidente da República.

Durante a conversa, acompanhada sempre de perto por jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que, “ao início, ainda não era totalmente percetível a dimensão dos danos", declarações interrompidas pelo autarca: “Na primeira hora pedi logo um estado de calamidade, percebi a dimensão do problema”.

A comitiva presidencial deslocou-se depois ao terminal rodoviário de Leiria, uma das infraestruturas mais afetadas pela tempestade, para observar diretamente os estragos causados pela força do vento.

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