Marcelo considera haver condições para erradicar os sem-abrigo

Agência Lusa
25 out 2022, 20:04
Marcelo Rebelo de Sousa (Lusa)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

"A pobreza, em geral, é um fracasso numa sociedade”, advertiu o chefe de Estado.

 Presidente da República considerou hoje haver condições para erradicar a “ferida social” dos sem-abrigo, que é “um fracasso” de toda a sociedade, num “prazo razoável”.

No encerramento do Encontro Nacional da ENIPSSA – Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, Marcelo Rebelo de Sousa defende a necessidade de "fazer tudo para num prazo razoável erradicar esta ferida social, esta chaga social, este fracasso social, de todos".

"Não é o único, há outros fracassos. A pobreza, em geral, é um fracasso numa sociedade”, advertiu o chefe de Estado, afirmando haver condições para erradicar os sem-abrigo.

O Presidente da República constatou que a sociedade está a enfrentar uma “nova situação” de crise, que “não é tão crítica quanto a fase mais crítica da pandemia, mas que é mais complexa”.

“Sabemos que a dificuldade agora chama-se consequências da guerra, somadas às consequências da pandemia, que ainda duram mais do que nós pensamos, nomeadamente na saúde mental. E, portanto, há um aumento do risco de pobreza e um aumento do risco de casos de sem-abrigo, com modalidades muito diferentes entre si”, afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda as prioridades que foram definidas no encontro em Leiria: “de todas, a mais importante, como pano de fundo, é sonhar; a mais importante, em termos concretos, é a habitação”.

“A habitação era menos complicada em 2016, 2017 e 2018 do que passou a ser a partir de 2019, onde os preços do turismo” a encareceram o valor dos imóveis, o que torna mais difícil o “acesso à habitação”.

O Presidente da República alertou que não pode ser “uma casa que fica a 50 quilómetros sem meios para poderem aceitar essa proposta, sob pena de ficarem num gueto”.

“Estão a ser convidados a ir para um gueto e esse problema, como se sabe, agravou-se por todo o país. Primeiro nos polos metropolitanos e nos polos urbanos, e depois nos suburbanos”, reforçou, apontando a resolução destes casos como uma real “prioridade”.

Para o chefe de Estado, é também preciso “ir mais longe na componente da saúde, na empregabilidade, sempre que possível, e muito mais longe na participação cívica, ou seja, mais longe na prevenção”.

“Isso só aumenta a nossa responsabilidade, não enfraquece a nossa paixão. Temos de ser mais responsáveis, mas, por isso mesmo, mais apaixonados por esta causa”, apontou, reconhecendo que a sociedade “está mais desperta para esta prioridade nacional”.

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu ainda que nota uma “diferença brutal” de há seis anos para cá no empenho das “autarquias e das estruturas devotadas a esta luta”, quer na “diversidade de preocupações” quer na “complementaridade de contributos” e “na mobilização, na capacidade de sonhar e de mudar a realidade que existe”.

A prevenção foi também defendida, porque é uma situação “disfuncional, dramática, de diversos tipos de drama”, que cria um sem-abrigo, e pode ser “pessoal, familiar, funcional, sanitária, de saúde ou de saúde mental”.

“São 10.000 casos que se entrecruzam. A prevenção é fundamental”, assim como “criar condições de acompanhamento de saúde mental, porque isto é realmente uma missão coletiva comunitária, não é apenas dos especialistas, dos técnicos, dos que trabalham nas autarquias, instituições sociais. Vamos por diante sem hesitar, sem esmorecer, sem desistir”, destacou.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Política

Mais Política