"Inaceitável", "inacreditável": Marcelo arrasado por defender a Igreja em vez de pedir desculpa às vítimas de abusos sexuais

Beatriz Céu , (atualizada às 21:20 com Lusa)
11 out 2022, 19:25

Presidente disse que "400 casos de abusos sexuais na Igreja não é particularmente elevado". Esta declaração está a provocar enorme celeuma no país

"Inaceitável", "inacreditável e "lamentável". A declaração do Presidente da República, que considerou que as mais de 400 queixas validadas pela Comissão Independente para o estudo dos abusos sexuais de menores na Igreja Católica não se trata de um número "particularmente elevado", provocou uma onda de indignação entre deputados e políticos. Da esquerda à direita, sucedem-se os pedidos para que Marcelo dirija um pedido de desculpa às vítimas e aos seus familiares.

Numa publicação na rede social Twitter, a Iniciativa Liberal (IL) diz que "lamenta profundamente o comportamento do Presidente da República no caso dos abusos sexuais de menores no seio da Igreja" e acusa Marcelo de estar "mais preocupado em ilibar e relativizar a gravidade do comportamento de vários elementos da Igreja Católica do que com as vítimas dos atos hediondos". O partido aconselha o chefe de Estado a fazer um "pedido de desculpas às vítimas e ao país".

Antes, o deputado Carlos Guimarães Pinto, da IL, tinha defendido algo semelhante.

O deputado do Bloco de Esquerda Pedro Filipe Soares diz mesmo que as "declarações miseráveis" do Presidente da República constituem "um insulto às mais de 400 vítimas" que apresentaram queixa. "É este o Presidente de uma República laica e de um Estado de Direito? Lamentável. Fosse um caso apenas e já era preocupante", escreveu o deputado bloquista numa publicação no Twitter, onde acusou Marcelo de "não ter estado à altura do cargo que ocupa".

O presidente do Chega, André Ventura, também considera que Marcelo "deve pedir desculpa às vítimas" pelas "declarações infelizes" desta tarde, que "menorizam o seu sofrimento".

Isabel Moreira, deputada do Partido Socialista (PS), também classificou a posição de Marcelo como "inaceitável". 

A ex-candidata presidencial Ana Gomes considera que o Presidente da República "anda a precisar de descanso e meditação" depois desta declaração - que descreveu como "inacreditável" e "inaceitável".

Rui Tavares, do Livre, pediu que Marcelo Rebelo de Sousa faça um exercício de introspeção quanto às eventuais consequências da sua declaração nas vítimas de abusos sexuais.

Também através do Twitter a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, disse ser "incompreensível a desvalorização dos abusos sexuais de menores por parte do Presidente da República".

Numa declaração enviada à Lusa, o PCP alertou que o número de casos de abusos sexuais de menores na Igreja Católica é "uma questão muito sensível" que "não deve ser menorizada" e exortou para que se apurem todas as consequências. "Esta é uma questão [os abusos sexuais de menores] muito sensível, que merece preocupação, não deve ser menorizada e cujo apuramento deve prosseguir com as consequências devidas", sustentou.

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