Marcelo defende que se deve garantir que parte do legado de Paula Rego fica em Portugal

Agência Lusa , FMC
8 jun, 19:28
Marcelo Rebelo de Sousa (Lusa/Hugo Delgado)

O Presidente da República defendeu que esta seria a "maior homenagem" que o país podia fazer

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta quarta-feira que se deve garantir, através de organismos públicos e privados, que uma parte da obra da pintora Paula Rego fica em Portugal.

Esta posição consta uma nota de pesar publicada esta quarta-feira no sítio oficial da Presidência da República na Internet já depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter lamentado a morte de Paula Rego em declarações aos jornalistas, em Braga.

"A maior homenagem seria podermos garantir, através de intervenções de organismos públicos e privados, que uma parte relevante do legado de Paula Rego ficará em Portugal, país onde não vivia há muito, mas que nunca abandonou", afirma o chefe de Estado nesta mensagem escrita.

Marcelo Rebelo de Sousa relata que quando visitou a "ambiciosa e impressionante retrospetiva de Paula Rego na Tate, em Londres", em julho do ano passado, "ficou decidido que acompanharia as versões dessa exposição em diversas cidades europeias".

"E assim aconteceu, primeiro na Haia, depois em Málaga, num percurso que desejavelmente poderia terminar em Portugal. Num diálogo que tinha já tido um ponto alto quando a visitei no seu atelier, em Londres, em 2016", refere.

Segundo o Presidente da República, em todas as cidades a exposição suscitava "a mesma reação, vinda de curadores, críticos, jornalistas, visitantes: a de que se trata de um dos universos mais fortes e singulares da arte contemporânea".

O chefe de Estado descreve a pintura de Paula Rego como "uma figuração convulsa, ao estilo britânico", à qual se juntava "um outro olhar, um outro imaginário, sombrio e opressivo, ou mítico e indomável, uma visão pessoal, naturalmente, mas uma visão portuguesa".

"E todas as aproximações à arte e à literatura universais não ficavam completas sem entendermos aquilo que era especificamente português nos quadros ou nos desenhos, fossem histórias infantis, memórias de juventude, arquétipos, traumas ou nostalgias", considera.

"Por isso, e porque Paula Rego foi, a par de Vieira da Silva, a nossa artista mais reconhecida internacionalmente, acompanhei-a pela Europa, mesmo que a própria já não pudesse viajar, e testemunhei o poder encantatório e perturbador da sua obra", acrescenta.

O Presidente da República apresenta à família de Paula Rego os seus "sentimentos de pesar e de gratidão", dirigindo-se em especial a Nick Willing, seu filho.

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