"É um estilo de Papa completamente diferente do Papa Francisco", comentou Marcelo Rebelo de Sousa à saída. "É um Papa americano, muito racional, ideias muito organizadas, fala curto"
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, descreve o Papa Leão XIV, com quem se reuniu esta segunda-feira no Vaticano, como "superiormente inteligente" e "muito racional", com "concisão da palavra".
"É um estilo de Papa completamente diferente do Papa Francisco. O Papa Francisco era mais discursivo, se quiserem, mais emotivo, mais efusivo e, portanto, mais longo. Aqui temos um Papa americano, muito racional, ideias muito organizadas, fala curto", comentou o chefe de Estado aos jornalistas.
Em declarações na Embaixada de Portugal junto da Santa Sé, pouco depois da audiência com o Papa Leão XIV, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que os dois falaram sobre a situação política portuguesa, sobre a Europa e o mundo, incluindo os Estados Unidos da América e o presidente norte-americano, Donald Trump.
"Falou-se de tudo isso, claro. Mas eu agora não posso estar a contar. Eu posso dizer os temas que tratámos, mas não posso contar a conversa", ressalvou.
Interrogado se a posição do Papa está alinhada com a sua, o Presidente da República respondeu: "Eu acho que está alinhada com todos os que estão preocupados com vários aspetos da situação internacional atual: instabilidade, imprevisibilidade, guerra, consequências sociais e económicas".
O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, foi recebido esta segunda-feira pelo Papa Leão XIV na Cidade do Vaticano, com quem esteve reunido a sós durante 25 minutos, segundo a Presidência da República.
A audiência decorreu na biblioteca privada do Papa no Palácio Apostólico. Depois do encontro a sós com Marcelo Rebelo de Sousa, houve um momento alargado à comitiva do chefe de Estado português, com a habitual troca de presentes.
Marcelo Rebelo de Sousa ofereceu ao Papa Leão XIV uma pintura miniatura portuguesa do século XVII que representa Santo Agostinho, com moldura em talha dourada do século XVIII, um registo religioso da autoria de Branca Franco e o livro "Dez anos por Portugal", uma edição da Presidência da República que reúne fotografias dos seus dois mandatos.
Após a audiência papal, o Presidente da República foi recebido pelo cardeal secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, durante cerca de 45 minutos.
A comunicação social não pôde entrar no palácio, apenas registar a chegada do chefe de Estado ao Pátio de São Dâmaso, pelas 11:25 locais (10:25 em Lisboa), perante um destacamento honorífico da Guarda Suíça Pontifícia, e a saída, cerca das 13:15 locais.
Antes, o Presidente da República visitou o túmulo do Papa Francisco, na Basílica de Santa Maria Maior, onde depositou um 'bouquet' de sete rosas brancas, e juntou-se à missa que decorria na Capela Paulina deste templo mariano, uma das quatro basílicas papais de Roma.
O chefe de Estado chegou a Roma no domingo ao fim do dia, e jantou com o Presidente de Itália, Sergio Mattarella, antes da sua visita oficial ao Vaticano.
À chegada, Marcelo Rebelo de Sousa confirmou que na sua primeira audiência com o Papa Leão XIV o iria convidar a visitar Portugal em 2027, referindo: São 110 anos de Fátima e, portanto, há uma boa razão para incluir no programa de visitas Fátima e, portanto, Portugal".
Esta foi a sexta vez que Marcelo Rebelo de Sousa se deslocou como chefe de Estado ao Vaticano, o primeiro destino que visitou no início dos seus dois mandatos, onde foi recebido pelo Papa Francisco, em março de 2016 e de 2021, logo seguido de Espanha, onde também regressará durante esta semana.