Apesar de as pessoas terem "o ordenado", Marcelo espera que o dinheiro do Estado chegue "na próxima semana". E faz mais reparos à reação do Governo

4 fev, 13:48

Marcelo sublinha que o ministro da Economia não se "saiu bem" quando disse que as pessoas afetadas pela Kristin podem usar "o ordenado" nesta fase. Quanto à avaliação do Governo como um todo, "dá um insuficiente", um "menos bem" e três "bem"

O Presidente da República prosseguiu esta quarta-feira com as visitas aos locais afetados pela tempestade. Em Pedrógão Grande, e quando questionado sobre a atuação do Governo, Marcelo Rebelo de Sousa acabou a comentar as polémicas declarações do ministro da Economia: Manuel Castro Almeida diz que as pessoas afetadas pela tempestade devem usar “o ordenado do mês passado” até chegarem os apoios do Estado, os quais, segundo o próprio ministro, só devem chegar no fim de fevereiro. Marcelo tem outro calendário.

"As pessoas querem resolver os problemas concretos da água, da eletricidade, das comunicações, as vias já estão melhor, e depois o repor da vida, receber o dinheirinho, a ver se o mais rápido possível, na próxima semana ou na semana seguinte. Mas, para falar disso, eu já disse que nós, quando comunicamos, nós temos responsabilidades políticas. Muitas vezes não temos a informação completa, portanto perguntam-nos 'olha, percebeu como é que isso se passou e tal?'", afirmou Marcelo, que assumiu depois que estava a falar sobre as declarações do ministro.

Marcelo acrescentou as "umas vezes [as declarações dos políticos] saem bem, umas vezes não". "A pessoa ou é muito sincera e diz 'olha, eu não percebo, ou não percebi ainda, ou ainda não consegui perceber o que é que falhou, porque falhou, as causas e tal'. Ou então queremos simplificar e dizemos coisas deste género. Eu também já me aconteceu dizer isso, que o dinheiro há de chegar o mais rápido possível, mas apesar de tudo as pessoas já foram ganhando o dinheiro do mês passado e isso compensou. Ora, bom, e eu também muitas vezes me sai isso por deficiente de conhecimento ou por ser apanhado assim no turbilhão em cima do que se estava a passar, e eu não me saio bem. Portanto, umas vezes sai bem, outras vezes não sai bem."

Questionado sobre se o Governo como um todo está a gerir bem o pós-tempestade, Marcelo fez alguns reparos. "Eu acho o seguinte: acho que a primeira reação do primeiro-ministro, perceber que era grave e ir à Proteção Civil, bem. Depois a ideia de que era uma extensão mais pequena - foi a que a Proteção Civil deixou - insuficiente, afinal era mais ampla. Depois o Governo vai para o terreno, o primeiro-ministro vai para o terreno e nota que é mais ampla e declara a calamidade, bem. Depois não se percebe bem como ampla era e aponta-se para 30, 40, máximo 50 concelhos, é curto, eram mais, menos bem porque demorou tempo a haver essa visão. Depois, logo que se teve a visão avançaram as medidas, bem."

O Presidente da República sublinhou que "há muitos idosos que estão isolados em casa" e que "tem de haver uma máquina [política] que permita que se possa circular rapidamente aquilo que é decidido [politicamente] lá em cima". "As medidas todas estão previstas para poder chegar à vida das pessoas. Só há uma maneira: é a equipa que está encarregada disso ter poderes, ter estrutura, porque no fundo funciona à margem da CCDR, embora ligada com ela. E, como aqui é uma região mais ou menos homogénea, chega aos autarcas, e as pessoas têm de ir às freguesias e aos municípios para poderem depois receber o dinheiro e são os municípios que têm de fazer o levantamento, na base das freguesias, dos prejuízos, das necessidades, em tempo recorde. É uma tarefa muito complicada."

Quanto à atuação do Exército nas áreas afetadas, Marcelo lembrou que, "se há calamidade, os meios das Forças Armadas estão requisitados". 

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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