Marcelo diz que medidas do Governo para combater inflação são "bem tomadas no momento adequado"

Agência Lusa , BC
24 mar 2023, 16:30
Marcelo Rebelo de Sousa (Foto: Bienvenido Velasco/EPA)

Chefe de Estado saudou também a "boa notícia quanto ao défice, 0,4%" em 2022, elogiando as medidas do Governo para mitigar os efeitos da inflação

 O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, elogiou esta sexta-feira as medidas anunciadas pelo Governo para mitigar os efeitos da inflação, considerando que são "bem tomadas, no momento adequado", abrangendo "setores fundamentais".

"Eu, da mesma maneira que critico o que é de criticar, elogio o que é de elogiar. E já elogiei o ministro [das Finanças] Medina há pouco, porque acho que [as medidas] foram bem tomadas, no momento adequado", declarou o chefe de Estado aos jornalistas, num hotel de Santo Domingo.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o Governo atuou agora porque se percebeu "que não é para já a quebra da inflação" e se comprovou "haver folga" orçamental: "Neste momento estão preenchidas as condições, e não se esperou muito, muito mais".

Interrogado se são suficientes as medidas hoje anunciadas, o Presidente da República respondeu: "Ora bom, isso ninguém sabe. Quer dizer, é o que é possível para este momento. Se são suficientes, depende da evolução do Orçamento no futuro e depende sobretudo de a inflação quebrar ou não quebrar".

O chefe de Estado saudou também a "boa notícia quanto ao défice, 0,4%" em 2022, e reiterou que outra "boa notícia está por vir do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano" nas previsões do Banco de Portugal, de "perto de 2%, 1,8%".

Ainda sobre as medidas do Governo para mitigar a inflação, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que "vão a quatro setores fundamentais: os bens alimentares, reduzindo a zero durante um período de tempo, nos próximos meses, o IVA sobre os bens alimentares; medidas para a agricultura, que era muito sensível".

"Medidas diretas de ajudas como aquelas que houve no final do ano passado no bolso das famílias; e depois uma preocupação de completar isso com um aumento extraordinário dos salários da função pública", completou.

Confrontado com as críticas do líder parlamentar do PSD, Joaquim Miranda Sarmento, de que os apoios anunciados pelo Governo "ignoram completamente a classe média", o chefe de Estado contrapôs que "a classe média é abrangida no sentido de que os bens alimentares também são consumidos pela classe média" e apontou também "o salário dos professores, uma parte da classe média".

No seu entender, o problema que possivelmente "mais dói na classe média é o juro do crédito à habitação, porque são um milhão e cem mil famílias, é muita gente", mas "aí a intervenção do Governo é mais limitada".

"Tem a ver com a política de juros do Banco Central Europeu (BCE) e, portanto, com a situação do sistema bancário. Isso é uma realidade que infelizmente para nós é muito internacional", disse.

Relativamente à redução o IVA sobre bens alimentares essenciais, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que está a par da solução do Governo, mas que não lhe compete anunciá-la.

Na sua opinião, essa medida "pode ter maior sucesso ou menor sucesso, depende do tipo de produtos e depende da resposta da parte do mercado".

"Vamos esperar para ver. É tentativo, é uma coisa muito nova em Portugal", acrescentou.

Em termos gerais, quanto aos apoios para mitigar os efeitos da inflação, o chefe de Esatdo reiterou que "vai-se ajustando caso a caso, porque é momento a momento e caso a caso que se vai vendo qual é a capacidade".

O Presidente da República está desde quarta-feira à noite na República Dominicana, onde na quinta-feira realizou uma visita oficial de um dia, antes de participar na 28.ª Cimeira Ibero-Americana, entre hoje e sábado, juntamente com o primeiro-ministro, António Costa.

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