Tido como candidato presidencial, Gouveia e Melo está livre para assumir o que queria - recuperar na plenitude os seus direitos civis, agora que cessa as funções militares
Marcelo Rebelo de Sousa condecorou esta sexta-feira o almirante Henrique Gouveia e Melo pelo seu trabalho enquanto chefe do Estado-Maior da Armada. "Definiu-se de forma singular no exercício da função", justificou o Presidente.
Marcelo salientou o trabalho de Gouveia e Melo quer durante a pandemia, quer durante a guerra na Ucrânia, onde foi responsável pela "utilização de veículos não tripulados para completar aquilo que era o sistema de armas utilizado quer tradicionalmente, quer no início do conflito, depois da invasão pela Federação Russa da Ucrânia".
"Essa é uma vertente que dedica muita da sua atenção, quer na sofisticação e superação dos problemas iniciais, quer no estímulo à indústria e à investigação no nosso país e lá fora, quer no investimento - que é apoiado pelo Governo - quanto à disponibilidade de novas capacidades que viessem enquadrar essa nova vertente no domínio da Armada", disse o Presidente.
Marcelo lembrou ainda as vezes em que Gouveia e Melo foi porta-voz do país, assim como a sua dedicação ao mundo dos submarinos, à qual dedicou "boa parte da sua paixão e da sua missão".
"O facto de, em várias circunstâncias, ter sido porta-voz: porta-voz da Marinha, em algumas circunstâncias, e de alguma maneira também do Estado-Maior General das Forças Armadas - o que lhe permitiu um contacto privilegiado com a sociedade civil e uma compreensão do fenómeno mediático, em transformação na sociedade portuguesa", afirmou Marcelo.
O Presidente da República lembrou ainda o "processo longo, mas importante", sobre "o envolvimento das Forças Armadas no domínio da proteção civil", adiantado pelas "calamidades" que "exigiram uma intervenção diferente, a nível do Estado-Maior General das Forças Armadas, a nível dos ramos das Forças Armadas".
"Isso permitiu-lhe uma experiência, logo em 2017, aquando dos fogos. Não foi isolada, foram todas as Forças Armadas, foi o Estado-Maior General das Forças Armadas, foram os vários ramos, mas coube-lhe em particular a logística, nomeadamente alimentar, relativamente às forças ali presentes. Isso deu-lhe um contacto com as populações. Mais tarde, num período também intenso, correspondeu a outra calamidade, que determinou não só a declaração do estado de emergência como a sua renovação e a experiência do protagonismo daquilo que foi uma campanha, logo que houve possibilidade de dispor de vacinas, de vacinação em Portugal, ao longo do ano 2021."
Por esse "somatório", que "se ajusta melhor ou pior àquilo que foi vivido", Marcelo Rebelo de Sousa condecorou então Gouveia e Melo com a Grande Cruz da Ordem Militar de Cristo, uma vez que esse somatório se traduz "num exercício de funções que realmente foram importantes para a Armada, foram importantes para as Forças Armadas Portuguesas e foram importantes para Portugal".