O chefe de Estado espanhol confirmou ainda que virá a Lisboa para a tomada de posse do novo Presidente português, António José Seguro
O Rei de Espanha, Felipe VI, agradeceu esta sexta-feira ao Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, "a energia, inteligência, sabedoria e coração" que dedicou às relações luso-espanholas nos dez anos como chefe de Estado.
"Tudo vale a pena quando se investe no que engrandece a alma. E, além da vossa dedicação e liderança à frente do Estado e da Nação portuguesa nas relações entre Espanha e Portugal, posso dar fé de que colocou a energia, a inteligência, a sabedoria e o coração", disse Felipe VI, em português, depois de invocar os versos de Fernando Pessoas "Tudo vale a pena se a alma não é pequena".
O Rei de Espanha falava no Palácio Real de Madrid, onde esta sexta-feira recebeu Marcelo Rebelo de Sousa, com honras militares, na última visita oficial do Presidente da República como chefe de Estado, funções quer termina em 9 de março.
Felipe VI fez um discurso parcialmente em português no brinde do almoço em honra de Marcelo de Rebelo de Sousa que decorre no Palácio Real, com cerca de 100 convidados, e em que está também a rainha espanhola, Letizia, e o primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez.
O chefe de Estado espanhol confirmou que irá a Lisboa para a tomada de posse do novo Presidente português, António José Seguro, com quem disse que continuará a trabalhar "em prol desta magnífica era" na relação luso-espanhola.
"Mas saiba, caro Presidente, que entre nós não se trata de uma despedida, mas sim do início de uma nova etapa, também de profunda e respeitosa amizade pessoal", sublinhou Felipe VI, que se referiu a Marcelo Rebelo de Sousa, no discurso, como "professor Marcelo" e "queridíssimo amigo", depois de ter quebrado o protocolo à chegada do Presidente da República ao Palácio Real de Madrid quando o recebeu com um abraço.
As primeiras palavras de Felipe VI nesta intervenção foram sobre a sucessão de tempestades que atingiu a Península Ibérica nas últimas semanas, tendo manifestado "imenso pesar" pelas vítimas do mau tempo em Portugal.
"A adversidade volta a mostrar-nos até que ponto partilhamos grande parte do que somos", defendeu o Rei de Espanha, que se congratulou por os dois países, depois de épocas de "costas voltadas", terem "aprendido as lições da história" e hoje compreenderem que a "interdependência" entre ambos é "um ativo enorme" de que não podem nem devem prescindir.
Felipe VI congratulou-se, assim, por Portugal e Espanha hoje cooperarem e partilharem visões em diversos níveis, bilaterais e multilaterais, dando como exemplo o combate aos incêndios, a "integração cada vez maior" das economias de Portugal e Espanha, a União Europeia, a NATO e a perceção da "importância do vínculo transatlântico" ou a comunidade de países ibero-americanos.
Marcelo Rebelo de Sousa escolheu o Vaticano e Espanha para as primeiras e últimas visitas enquanto Presidente da República e adiou por duas vezes esta visita de despedida a Madrid, em dezembro e no início deste mês.
O primeiro adiamento deveu-se à inesperada operação do Presidente a uma hérnia abdominal. A visita foi adiada de novo no início de fevereiro, por decisão conjunta com o Rei de Espanha, devido às tempestades que atingiram os dois países.