Marcelo contraria as acusações de Carlos Costa e diz que António Costa não favoreceu Isabel dos Santos

16 nov, 14:48

Presidente da República recusa comentar diretamente a polémica que envolve António Costa e o antigo governador do Banco de Portugal, que acusa o primeiro-ministro de o pressionar para favorecer Isabel dos Santos. Ainda assim, Marcelo valida a tese do primeiro-ministro no que respeita à filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos

O Presidente da República admitiu esta quarta-feira que o diploma que tornou possível desblindar os estatutos do BPI representou uma posição “desfavorável” para Isabel dos Santos. “A decisão era sempre desfavorável à senhora engenheira Isabel dos Santos”, afirma. E acrescenta: “Correu bem, no sentido em que o interesse nacional impunha que corresse assim. Sacrificou os interesses de uma particular e acarretou problemas diplomáticos”.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que o diploma relativo ao BPI lhe foi trazido por António Costa no início do mandato após um chumbo de Cavaco Silva. O caso do BPI, onde a filha do antigo presidente angolano era acionista, foi-lhe apresentado como uma “dor de cabeça” – “a mais urgente” - pelo primeiro-ministro.

“Tive a noção de que ia ser uma das questões mais complicadas do meu mandato. Mas, enfim, tinha de ser. O Banco de Portugal não tinha solução. O BCE não tinha solução. Tinha de ser o Governo a assumir a responsabilidade”, recorda.

Para Marcelo, “só havia um caminho para conseguir alterar a situação, que era de embate, de bloqueamento no banco”. “Em nenhum momento algum dos intervenientes jamais pensou que uma solução fosse, se a senhora engenheira persistisse ao não aceitar o acordo, deixar de aplicar a lei que lhe era desfavorável”, afirma.

O Presidente da República recusou comentar diretamente a polémica que envolve agora o primeiro-ministro e ex-governador do Banco de Portugal Carlos Costa. No livro “O Governador”, escrito pelo jornalista Luís Rosa, Carlos Costa diz que foi alvo de pressão do primeiro-ministro para proteger Isabel dos Santos, em concreto no Banco BIC.

Posição semelhante à de Marcelo foi assumida, por exemplo, por António Lobo Xavier no passado domingo no programa "O Princípio da Incerteza" da CNN Portugal. O comentador, que é administrador do BPI, afirmou que o relato de Carlos Costa “não bate certo com uma série de atos que António Costa praticou no sentido totalmente oposto”, tendo o primeiro-ministro agido “ativamente para desbloquear a situação acionista no BPI, em desfavor de Isabel dos Santos”.

Também o presidente do PS, Carlos César, defendeu esta terça-feira que foi António Costa quem “libertou” o BPI de Isabel dos Santos. Para o socialista, que é membro do atual Conselho de Estado, o ex-governador foi “desrespeitoso”.

Carlos Costa insiste na pressão

Na apresentação do livro, esta terça-feira, Carlos Costa confirmou que o primeiro-ministro António Costa o contactou com o intuito de proteger a posição da empresária Isabel dos Santos no Banco BIC. "A este propósito eu tenho a declarar o seguinte: um, confirmo que o senhor primeiro-ministro me contactou por chamada para o meu telemóvel, no dia 12 de abril à tarde, depois da reunião que eu tinha tido com a engenheira Isabel dos Santos e com o sôtor Fernando Teles, acionista do BIC; segundo, confirmo que nessa chamada que foi telefónica me comunicou que não se pode tratar mal a filha de um presidente de um país amigo de Portugal", garantiu Carlos Costa.

António Costa já afirmou que vai processar o ex-governador por ofensa à sua honra, depois de, no livro, o antecessor de Mário Centeno ter relatado que foi pressionado pelo chefe do Governo para não retirar Isabel dos Santos do BIC.

Esta terça-feira, o primeiro-ministro argumentou que está a ser vítima de uma “operação política” montada por Carlos Costa. “A honra antigamente lavava-se em duelos, agora felizmente é nos tribunais”, acrescentou.

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