Informado em todas as frentes, sem interrupções?
TORNE-SE PREMIUM

Europa quer produzir energia eólica que daria para abastecer 15 vezes Portugal. Será viável? Garante independência? Resiste a ataques inimigos?

22 mar, 22:00
Eólicas no Mar do Norte (Getty)

É a resposta à guerra lançada por Donald Trump à energia eólica. Parte da Europa foi a Hamburgo reafirmar a aposta nas eólicas marítimas do Mar do Norte. Estima-se que, em 2050, tenham uma potência instalada de 300 GW, uma rede descentralizada e um sistema elétrico assente na resiliência. Os especialistas ouvidos pela CNN Portugal explicam o que está em causa

Donald Trump insiste que a energia eólica é para falhados e só “gente estúpida” acredita na sua utilidade. Já do lado europeu, aumentam-se esforços para acelerar um enorme empreendimento de energia eólica offshore no Mar do Norte.

Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega e Reino Unido – a Islândia também esteve presente, mas apenas como observador convidado - reuniram-se em Hamburgo, no final de janeiro, para a terceira edição da Cimeira do Mar do Norte. A ideia surgiu em 2022 como resposta à dependência europeia do gás e petróleo russo e é simples: fazer das águas pouco profundas do Mar do Norte a "maior reserva de energia limpa do mundo".

A intenção a longo prazo é edificar um parque eólico offshore capaz de produzir 300 gigawatts (GW) de energia até 2050. Para já, a Declaração de Hamburgo - assinada por aqueles nove países - fixa o objetivo de acelerar e potenciar o processo através de um acréscimo anual da capacidade de produção de 15 GW, entre 2031 e 2040, sendo que, atualmente, a capacidade de produção está nos 37 GW. Após o novo reafirmar de vontades, a capacidade de produção deverá passar para mais de 100 GW até 2040, o que será suficiente para alimentar cerca de 50 milhões de habitações, como explica a Reuters.

Mas a União Europeia está a apostar no cavalo certo? Ou é a Casa Branca que tem razão?

Há três vertentes por onde se pode obter uma resposta: uma técnico-económica, tentando perceber se o projeto reafirmado com a Declaração de Hamburgo é viável economicamente; uma visão relativa ao impacto geoestratégico, ou seja, a importância para a Europa de dar passos rumo à independência energética; e uma última, olhando pelo ângulo da Defesa, porque a maior reserva de energia verde a nível mundial pode transformar-se numa infraestrutura apetecível a ataques inimigos.

Assinatura da Declaração de Hamburgo durante a 3.ª edição da Cimeira do Mar do Norte, na Alemanha, no dia 26 de janeiro (Getty)

A vertente técnico-económica

Para quem não é especialista, os valores de energia produzida medidos em GW (gigawatts) levantam dúvidas: 300 GW são mesmo assim tanta energia? Quantos países pode alimentar esta fonte energética? Ou o que efetivamente quer dizer "capacidade de produção" e o que faz este projeto pela descentralização da rede europeia numa altura em que tanto se fala da resiliência dos sistemas energéticos? 

O engenheiro João Joanaz de Melo, professor na Universidade Nova de Lisboa, começa por definir que quando se referem estes 300 GW está a falar-se da "potência instalada" ou "capacidade de produção", o que se traduz na capacidade máxima que esta instalação é capaz de produzir em determinado instante sob "condições de vento perfeitas". No entanto, esta potência instalada nunca poderá ser "utilizada em 100% do tempo tal como acontece em qualquer outro tipo de instalação seja de energia renovável ou fóssil", explica o doutorado em Engenharia do Ambiente.

Apesar de não estar estarem disponíveis a tempo inteiro, 300 GW de energia elétrica representam uma quantidade substancial de eletricidade. Uma potência de "300 GW é cerca de 15 vezes superior à potência instalada total do sistema elétrico português", compara Joanaz de Melo, detalhando ainda que a "potência total instalada em Portugal anda à volta dos 20 gigawatts", sendo que o pico de consumo diário "varia entre os 8 e 9 GW" - o ponto do dia em que os cidadãos nacionais consumem mais energia da rede elétrica em simultâneo.

"Isto significa que, em qualquer momento, metade ou mais do sistema não está ativo, o que é algo normal", esclarece João Joanaz de Melo.

Turbinas eólicas, fixadas em terra, presentes na costa do Mar do Norte no norte da Alemanha  

De acordo com o Energy in Figures de 2025 referente aos dados 2023, publicado anualmente pela Eurostat sobre consumo e produção de energia, Portugal em uma potência instalada de 22 GW, os Países Baixos de 58 GW, a Dinamarca de 18 GW e até na Alemanha, o famoso "motor da Europa", a capacidade de produção energética instantânea fica nos 261 GW. Outro dado relevante para ajudar a compreender que uma potência de 300 GW é efetivamente muita energia são os picos de consumo: de acordo com o National Energy System Operator (NESO), distribuidor elétrico britânico, o pico de consumo energético no Reino Unido ronda os 50 GW, o que significa que o Parque Eólico do Mar do Norte seria capaz de alimentar seis economias como a britânica durante os seus picos máximo de consumo.

Ainda assim, Joanaz de Melo garante que essencial para atestar o projeto como uma verdadeira mais-valia é a questão da "viabilidade técnico-económica". O investimento que é necessário fazer para instalar essa capacidade “vai ou não ser compensado pelo valor da energia produzida?", questiona, realçando que a isto se junta a "viabilidade ambiental": "Que impactos ambientais é que o projeto vai causar?".

"Uma coisa é ser, do ponto de vista teórico, tecnológico, possível fazer uma coisa. Outra coisa é se faz sentido fazê-la em termos técnico-económicos e os impactos que isso vai causar", explica, apontando ainda "um outro problema": "Em Portugal, na Europa e no mundo temos uma economia extraordinariamente ineficiente em matéria de uso de energia", explica. O professor da Universidade Nova de Lisboa assegura ainda que "todos os setores", das casas à indústria, passando pelos serviços, poderiam poupar entre 25% a 30% do consumo energético atual.

Portugal pode receber energia do vento do Norte? Não. Nem Espanha. E a culpa é a de França

De Hamburgo saiu ainda a intenção de criar uma rede de cabos bidirecionais e interconexões capazes de conectar o parque eólico a vários países. No papel, a ideia é possibilitar que a energia elétrica flua para a regiões onde existe maior necessidade momentânea, melhorando a eficiência e flexibilidade da rede para que seja capaz de responder às mudanças de padrões e procura de consumos, à semelhança, aliás, do que já acontece na Península Ibérica com a energia solar, quando Portugal e Espanha canalizam entre si a energia produzida consoante a produção momentânea e as necessidades de consumo.

Esta avaliação ajuda ainda a reduzir os episódios de preços negativos - quando um país produz mais energia eólica ou solar do que aquela que consegue consumir em determinado momento, que acabaria por forçar os operadores a restringir a produção de modo a reequilibrar o mercado. Com esta solução sempre que “houver ventos na Alemanha e não haja no Reino Unido, então, se a Alemanha for incapaz de usar toda a energia, o Reino Unido pode aproveitar uma parte em vez desta acabar como desperdício”, explicou à Reuters Jordan May, analista sénior da consultoria TGS 4C.

E poderá alguma desta energia chegar a Portugal? A resposta é não. "França nunca quis que a Península Ibérica estivesse ligada à rede europeia", recorda João Joanaz de Melo. A nega de Paris faz com que Portugal e Espanha estejam alienados do resto dos países da Europa Central onde o sistema elétrico está "todo interligado". Estas conexões "são uma coisa boa", garante o especialista, porque são uma "forma de resiliência e de redução de custos".

Ainda assim, tecnicamente, também poderia não ser o mais viável transportar eletricidade de Copenhaga até Lisboa. Isto, porque, como explica o engenheiro da Universidade Nova de Lisboa, "quanto maior a distância, maior as perdas de energia".

Parque eólico do Mar do Norte terá uma potência instalada de 300 GW, em 2050, 15 vezes mais do que potência instalada total do que tem Portugal (Getty) 

João Joanaz de Melo destaca a importância de existir "uma diversificação de fontes" num sistema, a tão falada resiliência que nada mais é do que a descentralização da rede. "Não há nenhuma varinha mágica, não há nenhuma forma de produção ideal, todas as formas de produção de energia massificada têm algum impacto ambiental negativo e muitas vezes impactos sociais também negativos, trata-se de encontrarmos um mix de várias fontes e de várias localizações que consigam cumprir os objetivos que realmente são necessários, com o mínimo de estragos", refere.

Vamos ver eólicas offshore em Portugal? O engenheiro considera que é algo pouco provável no imediato, porque a costa nacional, em regra, a cerca de um quilómetro já tem 30 metros de profundidade e que, em muitos sítios, depois ainda afunda mais. 

As eólicas offshore não estão isentas de danos ambientais, têm interferência na migração das aves, na fauna, no modo de comunicar dos grandes mamíferos marinhos como baleias e golfinhos, impactam os bancos de pesca, a própria atividade piscatória e, normalmente, os turistas que estão no areal não acham muita piada a ter um aerogerador à beira-mar. Depois, existe mais uma questão técnica, que passa por responder: o que acontece se o parque eólico produzir mais energia do que aquela que pode ser consumida? "Se houver excesso, ou se armazena, deita a fora ou tem de se parar as máquinas", explica Joanaz de Melo lembrando ainda que, por exemplo, em Portugal existem sistemas hidroelétricos de bombagem cuja função é armazenar energia e, eventualmente, automóveis elétricos, alguns sistemas fotovoltaicos ou de baterias podem servir como postos de armazenamento.

Para o especialista em sistemas ambientais há um princípio que nunca deve ser esquecido neste tipo de redes de grandes dimensões: "Tem de haver sempre um equilíbrio entre aquilo que estou a produzir, o que estou a consumir e aquilo que consigo armazenar", porque caso contrário haverá um excedente que pode desestabilizar a rede, fomentar perdas económicas e energéticas e que não interessa a nenhum dos envolvidos.

"Mas, há uma questão mais vasta do que esta que é a questão das origens da energia. A necessidade de reduzirmos as emissões de gases de efeito estufa. Estamos no meio de uma crise climática. Quase toda a gente no mundo, exceto o senhor Trump, já percebeu isso. Isto não é brincadeira, não é maluquice de cientistas, não é uma invenção de chineses, é um problema sério e, portanto, temos mesmo de reduzir drasticamente os nossos combustíveis fósseis", alerta Joanaz de Melo.

Trump e o ódio à "gente estúpida" que acredita no vento: a vertente geoestratégica

Se os europeus acreditam firmemente que uso de energia eólica é rentável e ainda contribui para a desaceleração da crise climática, porque é que Trump tanto odeia as eólicas? A resposta prende-se com o facto de a Índia estar a escalar a aposta em painéis solares e a China ter instalado mais painéis solares e eólicas só em 2024 do que a quantidade total de energia renovável existente na operação norte-americana.

Dito isto, há que lembrar que os EUA mantêm o título de 'maior produtor de petróleo no mundo' e que, com o regresso de uma Administração encabeçada por Trump, estão novamente a apostar no fóssil enquanto tentam desmobilizar os esforços eólicos e solares existentes no resto mundo. Desde o regresso à Casa Branca, a nível energético, os EUA estão mais próximos de estados como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos ou Rússia.

Perante a Declaração de Hamburgo, Manuel Serrano, especialista em Assuntos Europeus, diz que a União Europeia (UE) deu "um sinal de mais um grito do Ipiranga". A história tem vindo a mostrar que um continente estar dependente a nível energético, comercial ou de segurança tende a ser uma má política e os últimos meses mostram que "não depender energeticamente, nem de outra maneira, dos EUA, da China ou da Rússia" é o novo rumo de Bruxelas, explica o também comentador da CNN Portugal.

Para Manuel Serrano este é aliás o ponto principal da Declaração de Hamburgo e o que traz o tema para sua vertente geoestratégica: "A soberania energética da Europa", porque o projeto para no Mar do Norte vai "reduzir as receitas fósseis da Rússia e da China". "Isto é um tema importante", refere, lembrando que vai permitir a Bruxelas "ignorar pressões de Trump" ao garantir que o velho continente não vai ficar energeticamente dependente dos EUA, sendo que simultaneamente a UE está a "reduzir as receitas fósseis de Rússia e China.

"A dependência energética foi transformada numa arma geopolítica. Esta é a oportunidade da Europa de ganhar independência e de voltar esta arma contra o outro lado", defende Manuel Serrano.

Europa pode estar agora um passo mais perto da soberania energética (Getty)

O especialista considera que esta decisão é demonstrativa de que a Europa também está a abraçar a lógica do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney": "Temos uns certos interesses e determinados valores comuns, mas temos de fazer pela nossa vida". Manuel Serrano entende que Bruxelas não pode "continuar a ceder continuamente às grandes potências" e deve, ao invés, criar uma "estratégia concreta" que assente nas "suas valências, independência, autonomia estratégica, económica e energética", porque caso contrário estará sempre "dependente das grandes potências que nos podem manipular hoje, amanhã ou depois da manhã".

Para Manuel Serrano o acordo UE-Mercosul, a Declaração de Hamburgo e o acordo comercial com a Índia são "uma mensagem" de que a Bruxelas está a acordo para a nova ordem mundial. "A Europa está a fazer por si, a Europa está-se a afirmar-se politicamente, em termos de geoestratégica e agora na autonomia energética". O especialista alerta, no entanto, que é imperativo "não cometer os erros que se cometeram no passado". Depois de, em fevereiro de 2022, a Europa ter percebido da pior maneira, porque era um erro centrar todo o seu fornecimento energético na Rússia, Manuel Serrano diz que agora é tempo de se perceber que "não podemos estar sempre dependentes deste bully que é Donald Trump".

Manuel Serrano destaca ainda que, pela primeira vez, um representante da NATO esteve presente numa Cimeira do Mar do Norte. "É interessante porque, pela primeira vez, tivemos infraestruturas eólicas offshore a serem tratadas como ativos militares estratégicos, porque é algo que exige proteção contra sabotagens híbridas", aponta.

"A Europa ao assumir a soberania energética, está a ganhar: reduz as receitas da Rússia e da China, ignora pressões de Trump, cria emprego e corta custos energéticos. É win, win, win, win, win para a Europa", resume Manuel Serrano.

Como se defende uma infraestrutura geoestratégica fulcral que se encontra no meio do mar?

Com o acelerar da marcha do plano europeu, este parque eólico marítimo ganha cada vez mais importância geoestratégica e torna-se num alvo mais apetecível para ataques ou sabotagens a cada dia. Os signatários da Declaração de Hamburgo reconhecem-no e, por isso mesmo, a terceira edição da Cimeira do Mar do Norte contou, pela primeira vez, com a presença de um representante da NATO.

NATO passa a estar mais atenta e envolvida na defesa das turbinas eólicas no Mar do Norte (Getty)​

"À luz das crescentes ameaças às infraestruturas energéticas offshore, congratulamo-nos e apoiamos o aumento do nível de cooperação multilateral nos mares do Norte e no mar Báltico, incluindo no quadro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), se necessário, para reforçar a sua defesa, segurança global e resiliência", pode ler-se na declaração de Hamburgo.

Da declaração constam ainda cinco pontos referentes a questões de defesa da reserva de energia renovável:

  1. Reforçar a coordenação de todos os serviços de segurança militares, civis e privados para proteger os ativos energéticos ao largo nos mares do Norte;
     
  2. Incentivar uma colaboração estreita entre as autoridades, a indústria e os operadores de infraestruturas para melhorar o conhecimento da situação abaixo e acima da água, a imputabilidade dos danos, bem como a resposta a incidentes;
     
  3. Trabalhar em conjunto para reforçar a ciberdefesa, coordenando e harmonizando as abordagens nacionais e promover a cibersegurança e a normalização;
     
  4. Realizar regularmente exercícios conjuntos dos serviços de segurança com todos os intervenientes relevantes, centrados na proteção das infraestruturas energéticas offshore e na colaboração na resposta a crises;
     
  5. Atuar contra os navios que não cumprem as normas para evitar as possíveis ameaças que representam para as infraestruturas energéticas offshore e o ambiente.

O major-general Agostinho Costa acredita que pode não haver necessidade, pelo menos para já, para alocar unidades militares à defesa da infraestrutura no Mar do Norte. À primeira vista a resposta do especialista militar da CNN Portugal pode parecer divergente do olhar europeu, mas centra-se numa questão: "A partir de que ponto um parque eólico deste tamanho deixa de ser operacional?".

Para Agostinho Costa estamos perante uma questão de custo-benefício. "Com meia dúzia de mísseis neutraliza-se uma central energética, mas para provocar danos significativos num parque eólico, ainda para mais daquelas dimensões, que tem centenas de ventoinhas, tem de se atacar ventoinha a ventoinha ", explica o major-general, lembrando ainda que mesmo que 10% das ventoinhas sejam neutralizadas, a infraestrutura continuaria a funcionar e a produzir energia. "São tantas e estão dispersas numa área tão grande que um ataque seria desperdiçar munições", explique Agostinho Costa.

Em sentido contrário, o major-general exemplifica com uma história ocorrida quando ainda era capitão e estava na Central de Castelo de Bode a fazer um estudo sobre ações supressivas. “O engenheiro que era diretor da central hidroelétrica mostrou-nos um equipamento, uma espécie de armário, e disse que aquele era o calcanhar de Aquiles da central, que se se alguém destruísse aquele posto, a central teria de parar. Ou seja, são aquele tipo de equipamentos que têm de ser defendidos".

Turbinas eólicas já existentes no Mar do Norte (Getty)

Colocando-se nos sapatos do inimigo, Agostinho Costa acredita que "seria muito mais rentável atacar a central de transformação" ao invés das ditas ventoinhas, sendo que este ataque tanto poderia ser uma ofensiva tradicional com munições ou uma ação de sabotagem. "É o que russos estão a fazer, não atacam as centrais nucleares, mas atacam as centrais de transformação elétrica que recebe a energia das centrais e a canaliza para cidades como Kiev".

Em que consiste efetivamente o projeto?

Os países signatários da Declaração de Hamburgo (documento na íntegra aqui) justificam o intensificar de esforços no ambicioso projeto com o facto de "a Europa estar a enfrentar desafios cruciais para a sua segurança, economia e sistemas energéticos" e apontam como causa destas alterações geoestratégicas "o aumento das tensões geopolíticas, nomeadamente a guerra de agressão ilegal em curso da Rússia contra a Ucrânia".

De acordo com a WindEurope, uma das empresas responsáveis pelo projeto, a obra criará cerca de 91 mil postos de trabalho e gerará um fluxo em transações económicas de cerca de 1.000.000.000.000€ - um bilião de euros - entre 2025 e 2040.

O engenheiro João Joanaz de Melo entende, contudo, que a "prioridade" deveria ser utilizar os topos do edificado já existente para colocar, quer painéis solares, quer aerogeradores de dimensões consideravelmente menores, porque "aí os conflitos de uso vão ser muito menores".

É certo que o custo de instalação por quilowatt ou por megawatt instalado nesta solução é maior, porque "implica verificar se as coberturas aguentam e ter sistemas de controlo a uma escala mais pequena, que são proporcionalmente mais caros". No entanto, o engenheiro explica que esta "dificuldade" se restringe apenas à "gestão da instalação inicial" e recompensaria a longo prazo porque "estes sistemas descentralizados são muito mais resilientes" em casos de apagões ou temporais.

"Durante o dia, o telhado da minha casa consegue produzir mais eletricidade do que aquela que eu consigo gastar, mas, se tiver um serviço ao lado, um consultório ou uma loja, posso vender ao meu vizinho a energia que já está a consumir, porque consome mais eletricidade do que consegue produzir", explica João Joanaz de Melo.

Toda a gente ganha? "Não, toda a gente ganha, não. As megaempresas de energia, os grandes, os oligarcas de energia perdem e é isso que explica porque é que estas coisas, que já estão maduras tecnologicamente, se estão a expandir tão devagarinho".​

Relacionados

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Europa

Mais Europa