"Três casos num ano não podem ser uma coincidência", "é difícil acreditar que sejam acidentes ou apenas manobras marítimas más". Reparação vai levar meses
Que cabo é este?
Trata-se do cabo Estlink 2, a operar desde 2014, que é a segunda ligação de corrente contínua de alta tensão entre a Finlândia e a Estónia. A primeira é o Estlink 1 e foi inaugurada em 2006. Ambos são um elo elétrico submarino no Mar Báltico. O cabo fornece eletricidade, cujo fornecimento pode sofrer problemas - isto em pleno inverno.
Quando aconteceu o corte do cabo?
Segundo o operador Fingrid, a interrupção de 658 megawatts (MW) do Estlink 2, na sequência de um corte, começou ao meio-dia (hora local) de quarta-feira, deixando apenas o Estlink 1, de 358 MW, em funcionamento entre a Finlândia e a Estónia.
O que causou o corte do cabo?
Ainda não se sabe, mas há fortes suspeitas de que tenha sido obra de um petroleiro russo que operava sob o pavilhão da ilha de Cook.
O navio russo foi apreendido?
Sim. A polícia e a guarda de fronteiras da Finlândia apreenderam o petroleiro em causa por ser suspeito de fazer parte da “frota-fantasma russa”.
Que navio é esse?
“A suposição no momento é que se trata de um navio da frota paralela e que a carga era gasolina sem chumbo carregada num porto russo”, disse Sami Rakshit, diretor-geral da alfândega finlandesa. Em causa está o navio Eagle S, que estaria a caminho de Port Said, no Egito, segundo o Guardian. O Politico diz que o navio transportava 35.000 toneladas de gasolina sem chumbo trazidas da Rússia.
Houve sabotagem?
Ainda não se sabe, mas, em conferência de imprensa, a polícia finlandesa diz ter “razões para suspeitar que este navio registado nas Ilhas Cook danificou o Estlink 2 e outros cabos”, estando por isso “a investigar uma grave sabotagem”. Em causa, dizem as autoridades da Finlândia, está a suspeita de que a âncora do petroleiro possa ter danificado o cabo de energia.
O que dizem os governos da Finlândia e Estónia?
O presidente finlandês, Alexander Stubb, defende que “três casos num ano não podem ser uma coincidência”, apelando a uma maior presença da NATO na área. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Margus Tsahkna, considera que “os danos à infraestrutura subaquática crítica tornaram-se tão frequentes que é difícil acreditar que sejam acidentes ou apenas manobras marítimas más”.
A NATO já reagiu?
Sim. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, disse que conversou com Stubb e com a primeira-ministra estoniana, Kristen Michal, e que a Aliança Atlântica vai aumentar a sua presença militar no Mar Báltico.
Spoke w/ @alexstubb about the ongoing Finnish-led investigation into possible sabotage of undersea cables. I expressed my full solidarity and support. #NATO will enhance its military presence in the Baltic Sea.
— Mark Rutte (@SecGenNATO) December 27, 2024
E a União Europeia?
Também. A chefe de política externa da UE disse que a frota paralela da Rússia “ameaça a segurança e o meio-ambiente, ao mesmo tempo em que financia o orçamento de guerra da Rússia”. Numa publicação feita na rede social X, Kaja Kallas diz que vai sugerir “medidas adicionais, incluindo sanções, para atingir essa frota”.
The incident involving undersea cables in the Baltic Sea is the latest in a series of suspected attacks on critical infrastructure.
— Kaja Kallas (@kajakallas) December 26, 2024
We commend the Finnish authorities for their swift action in boarding the suspected vessel.
My joint statement → https://t.co/M6EWBVWXNs
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Quanto tempo é preciso para reparar o cabo cortado?
A reparação do interconector Estlink 2, de 170 quilómetros, levará meses e a interrupção pode causar uma situação tensa no fornecimento de energia durante o inverno, afirmou o operador Fingrid num comunicado.
E o Estlink 1 foi danificado ou cortado?
Não. Para evitar que algo semelhante aconteça, as forças armadas da Estónia lançaram uma operação naval para proteger o cabo elétrico submarino Estlink 1 no Mar Báltico.
É a primeira vez que há cabos danificados no Mar Báltico?
Não. Na verdade, o corte do Estlink 2 acontece pouco depois de a polícia sueca ter dado início a uma investigação em novembro relativa a dois cabos de telecomunicações atingidos no Mar Báltico por um navio com bandeira chinesa. Em 2022, os gasodutos Nord Stream, entre a Rússia e a Alemanha, foram rebentados, num caso ainda em investigação pela Alemanha.