"Grave sabotagem" russa ou coincidência? Cortaram um cabo submarino no Báltico, NATO vai reforçar presença

27 dez 2024, 16:00
Eagle S

"Três casos num ano não podem ser uma coincidência", "é difícil acreditar que sejam acidentes ou apenas manobras marítimas más". Reparação vai levar meses

Que cabo é este?

Trata-se do cabo Estlink 2, a operar desde 2014, que é a segunda ligação de corrente contínua de alta tensão entre a Finlândia e a Estónia. A primeira é o Estlink 1 e foi inaugurada em 2006. Ambos são um elo elétrico submarino no Mar Báltico. O cabo fornece eletricidade, cujo fornecimento pode sofrer problemas - isto em pleno inverno.

Quando aconteceu o corte do cabo?

Segundo o operador Fingrid, a interrupção de 658 megawatts (MW) do Estlink 2, na sequência de um corte, começou ao meio-dia (hora local) de quarta-feira, deixando apenas o Estlink 1, de 358 MW, em funcionamento entre a Finlândia e a Estónia.

O que causou o corte do cabo?

Ainda não se sabe, mas há fortes suspeitas de que tenha sido obra de um petroleiro russo que operava sob o pavilhão da ilha de Cook.

O navio russo foi apreendido?

Sim. A polícia e a guarda de fronteiras da Finlândia apreenderam o petroleiro em causa por ser suspeito de fazer parte da “frota-fantasma russa”. 

Que navio é esse?

“A suposição no momento é que se trata de um navio da frota paralela e que a carga era gasolina sem chumbo carregada num porto russo”, disse Sami Rakshit, diretor-geral da alfândega finlandesa. Em causa está o navio Eagle S, que estaria  a caminho de Port Said, no Egito, segundo o Guardian. O Politico diz que o navio transportava 35.000 toneladas de gasolina sem chumbo trazidas da Rússia.

Houve sabotagem? 

Ainda não se sabe, mas, em conferência de imprensa, a polícia finlandesa diz ter “razões para suspeitar que este navio registado nas Ilhas Cook danificou o Estlink 2 e outros cabos”, estando por isso “a investigar uma grave sabotagem”. Em causa, dizem as autoridades da Finlândia, está a suspeita de que a âncora do petroleiro possa ter danificado o cabo de energia.

O que dizem os governos da Finlândia e Estónia?

O presidente finlandês, Alexander Stubb, defende que “três casos num ano não podem ser uma coincidência”, apelando a uma maior presença da NATO na área. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Margus Tsahkna, considera que “os danos à infraestrutura subaquática crítica tornaram-se tão frequentes que é difícil acreditar que sejam acidentes ou apenas manobras marítimas más”. 

A NATO já reagiu?

Sim. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, disse que conversou com Stubb e com a primeira-ministra estoniana, Kristen Michal, e que a Aliança Atlântica vai aumentar a sua presença militar no Mar Báltico.

E a União Europeia?

Também. A chefe de política externa da UE disse que a frota paralela da Rússia “ameaça a segurança e o meio-ambiente, ao mesmo tempo em que financia o orçamento de guerra da Rússia”. Numa publicação feita na rede social X, Kaja Kallas diz que vai sugerir “medidas adicionais, incluindo sanções, para atingir essa frota”.

Quanto tempo é preciso para reparar o cabo cortado?

A reparação do interconector Estlink 2, de 170 quilómetros, levará meses e a interrupção pode causar uma situação tensa no fornecimento de energia durante o inverno, afirmou o operador Fingrid num comunicado.

E o Estlink 1 foi danificado ou cortado?

Não. Para evitar que algo semelhante aconteça, as forças armadas da Estónia lançaram uma operação naval para proteger o cabo elétrico submarino Estlink 1 no Mar Báltico.

É a primeira vez que há cabos danificados no Mar Báltico?

Não. Na verdade, o corte do Estlink 2 acontece pouco depois de a polícia sueca ter dado início a uma investigação em novembro relativa a dois cabos de telecomunicações atingidos no Mar Báltico por um navio com bandeira chinesa. Em 2022, os gasodutos Nord Stream, entre a Rússia e a Alemanha, foram rebentados, num caso ainda em investigação pela Alemanha.

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