Há mais duas sociedades científicas a alertar para os riscos de mensagens que possam levar doentes a suspender tratamentos essenciais
O colesterol voltou ao centro do debate médico em Portugal, depois de o médico Manuel Pinto Coelho questionar em livro o papel das estatinas na prevenção das doenças cardiovasculares. A reação foi imediata: três sociedades científicas — de Cardiologia, Aterosclerose e Hipertensão — uniram-se para alertar para os riscos de mensagens que possam levar doentes a suspender tratamentos essenciais.
A presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Cristina Gavina, em declarações à CNN Portugal, revela a adesão de mais duas sociedades científicas — Endocrinologia e AVC — à mesma posição. Esta responsável defende que “as estatinas não são para todos, mas são fundamentais em doentes de alto risco”. Pessoas que já tiveram enfarte, AVC, foram submetidas a cirurgias cardíacas ou apresentam doença arterial comprovada são, segundo as sociedades científicas, aquelas que mais beneficiam da medicação. As cinco sociedades receiam consequências graves, caso os tratamentos sejam interrompidos sem avaliação clínica.
Do outro lado da discussão, Manuel Pinto Coelho defende que o colesterol foi transformado num “bode expiatório” e aponta o açúcar, os alimentos processados e o sedentarismo como principais responsáveis pela inflamação das artérias. O médico sustenta que, para a maioria da população saudável, a prevenção passa por alimentação equilibrada, controlo do peso, exercício físico e restrição do consumo de açúcar a ocasiões especiais.
Apesar das divergências, há duas recomendações consensuais: nenhum doente deve abandonar qualquer medicação sem falar com o respetivo médico; e a prevenção começa muito antes dos comprimidos.
O debate ultrapassou o espaço mediático. Por iniciativa das sociedades médicas, o caso seguiu para o Conselho Disciplinar da Ordem dos Médicos.