Manuel Pinho fala sobre pagamentos de Salgado: "Deve-me estar a confundir com uma rameira"

12 jun, 22:49

Ex-ministro da Economia deu uma entrevista exclusiva à CNN Portugal a partir da casa onde está em prisão domiciliária. Garante que o tribunal confundiu o GES com o BES e que pensar que Salgado poderia vir a ter mão na sua nomeação para governante de Sócrates “é de uma gravidade extrema”

Manuel Pinho, o ex-ministro da Economia condenado a dez anos de prisão efectiva por vários crimes, incluindo corrupção e fraude fiscal garante, em entrevista à CNN Portugal, que vai “até onde for preciso para provar que é totalmente falso” aquilo que o acusam de fazer. E sobre a relação que mantinha com Ricardo Salgado declara à juíza do processo EDP: “deve-me estar a confundir com uma rameira”.

Pinho, que foi ainda ainda condenado a pagar ao Estado cerca de 4,9 milhões de euros, refere que a magistrada que assina o acórdão que decidiu pela sua condenação - mas também a de Ricardo Salgado com quem terá mantido um pacto corruptivo, e a sua mulher Alexandra Pinho - confundiu detalhes importantes do caso: “​​Os prémios não eram pagos pelo BES, eram pagos pelo Grupo Espírito Santo”, diz, acrescentando que o tribunal “confundiu totalmente” as duas entidades. 

Os prémios a que Manuel Pinho se refere foram um dos pontos essenciais à volta deste processo.  O ex-governante terá recebido 15 mil euros por mês vindos do saco azul do GES para agir, segundo refere a acusação, como um “verdadeiro agente infiltrado de Salgado no Governo da República”. Uma tese confirmada pelo tribunal que, no acórdão do início deste mês, declarou que Pinho "bem sabia” “que os pagamentos de 15 mil euros não correspondiam ao pagamento do prémio". “Isto não era um prémio, mas sim uma contrapartida ilícita pelas funções que iria desempenhar". 

Agora, em entrevista excusiva à CNN Portugal, Manuel Pinho reitera que tal era impossível: “O Dr. Salgado, enquanto presidente do BES, não podia assumir os prémios que o Grupo Espírito Santo pagava”. “Tudo o que ele decidia em função do BES ficava lavrado em ata, nos relatórios e contas do Banco, portanto não podia pagar (os prémios) e ela não percebeu isso”, disse, referindo-se à magistrada Ana Paula Rosa. “O BES não me devia um euro. Quem me devia era o GES”.

O mesmo acórdão concluiu que Pinho, “ao aceitar as vantagens pecuniárias que não lhe eram devidas, mercadejava com o cargo público, pondo em causa a confiança pública" e que o ex-governante e o banqueiro "sabiam que lesavam a imagem da República e atentavam contra a confiança do cidadão". 

Pinho garante também que é “uma treta” que tenha decidido diretamente com Salgado, voltando a negar o testemunho do primo do líder do clã Espírito Santo, José Maria Ricciardi de que o nome do ex-governante tinha sido indicado por Ricardo Salgado a José Sócrates para ir para o Governo como ministro da Economia. “Isso é de uma gravidade extrema, porque se, por acaso, Portugal viveu num regime em que era um banqueiro que determinava quem eram os ministros, então temos de levar esta investigação à última consequência”. “É evidente que isso não é verdade, e está provado que não é verdade”, garante.

Já a nível pessoal, aponta que tinha “uma relação cordial” com Salgado, mas que a mesma não era “boa”. “Não tinha uma boa relação porque eu não gosto de quem me trata mal”. “E dizia a juíza que não é credível que se o Dr. Salgado lhe pagava tanto que não gostasse dele…ao que eu de uma forma mais polida possível disse: deve-me estar a confundir com uma rameira, não é por alguém me pagar ou não pagar que eu tenho de gostar dessa pessoa”.
 

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