Jogo grande a abrir a Premier League e vitória para o Arsenal, que não foi melhor que o Manchester United
Jogaram como nunca, perderam como sempre. Aquela velha e irritante frase provocatória do futebol pode bem ser aplicada ao Manchester United de Ruben Amorim, que sai da estreia na Premier League 2025/26 com um misto de sensações.
Se, por um lado, a equipa fez um dos seus melhores jogos desde que o treinador português está em Inglaterra, por outro, o Manchester United voltou a perder.
E isso aconteceu apesar de ter sido melhor que um Arsenal hiper pragmático em que Viktor Gyökeres pareceu um autêntico peixe fora de água.
Se o reencontro entre treinador e antiga estrela era um dos pratos fortes do encontro, depressa se percebeu que não ia ser por aí que o jogo teria picante, até porque o avançado sueco foi completamente apagado pela defesa da casa. Fosse com Matthijs de Ligt ou com Leny Yoro, a defesa do Manchester United foi sempre muito melhor que um Gyökeres que pareceu até frustrado em alguns momentos.
Só isso explica que tenha saído quase sem se dar por isso ao minuto 60, num momento que poucas vezes viveu no Sporting, onde era quase sempre ele e mais dez. Estreia em falso do atacante sueco, que enfrentou um treinador que talvez o saiba parar como ninguém. Exemplo disso é um lance já perto do fim, e que tantas vimos em Portugal, em que Gyökeres se atrapalhou por completo para perder a bola e até acabar a fazer falta.
Passada essa parte, o Manchester United só não conseguiu fazer face a outra arma de sucesso de Mikel Arteta. Se lhe perguntassem como é que tinha sido o golo, quão provável seria que a resposta fosse “de bola parada”?
Pois, foi assim mesmo, em mais um lance do laboratório basco, que ainda contou com a ingenuidade do guarda-redes Altay Bayındır. André Onana não serve, mas o turco também pode não dar garantias totais para atacar a época. A partir desse minuto 13, praticamente só deu Manchester United, que tentou de todas as formas, mas não conseguiu marcar nenhum golo.
Problema velho para Ruben Amorim, portanto, já que no Sporting também nunca conseguiu ter um guarda-redes totalmente à altura do resto da equipa, salvo uma fase ou outra de Antonio Adán.
Voltando a Old Trafford, a derrota em casa frente a um dos principais rivais é, por si só, uma má notícia, claro. Mas a forma como o Manchester United ligou o estádio à corrente durante quase todo o jogo, a forma como encostou o adversário e o fez tremer, além do avançado entrosamento de alguns dos reforços, fazem antecipar uma época que será bem diferente para Ruben Amorim e os seus jogadores.
Dos 11 titulares, dois foram reforços na verdadeira aceção da palavra. Matheus Cunha foi desconcertante a ziguezaguear, enquanto Bryan Mbeumo mostrou ser uma ligação direta com Bruno Fernandes, sobretudo na primeira parte.
Chegue Benjamin Sesko neste nível e o Manchester United estará sempre mais próximo do sucesso. Apesar de se ter estreado neste jogo, acabou por não aparecer por aí além, o que também se deve ao pouco tempo de trabalho.
De resto, e alargando a conversa dos reforços, só Gyökeres é que não mostrou já tudo o que tinha entre aqueles que começaram nos onze iniciais. É que do lado de lá mora um Martín Zubimendi que parece jogar no Arsenal desde pequenino. Com ele, Declan Rice e Martin Odegaard, qualquer equipa está mais próxima do sucesso.
