Descoberta uma variante genética que predispõe para a magreza - e como isso pode ajudar a combater a obesidade

CNN Portugal , MJC
8 nov, 16:24
Perda de peso (CNN)

O estilo de vida, incluindo hábitos alimentares e exercício físico, tem grande impacto no peso das pessoas. No entanto, sabemos que a genética pode ter até 20% de influência na obesidade

Investigadores espanhóis descobriram uma variante de um gene envolvido na nutrição celular cujos portadores tendem a acumular menos gordura. Estima-se que este gene esteja presente em quase 60% da população europeia.

O trabalho dos investigadores do Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO) e do Instituto IMDEA de Alimentação foi publicado na revista Genome Biology, com Nerea Deleyto Seldas e Lara P. Fernández como autores principais.

Para o líder do Grupo de Metabolismo e Sinalização Celular do CNIO, Alejo Efeyan, citado pelo El Mundo,“a descoberta representa mais um passo na compreensão dos componentes genéticos da obesidade”. Ana Ramírez de Molina, diretora do Instituto IMDEA de Alimentação, considera que "o conhecimento do envolvimento da via celular de deteção de nutrientes na obesidade pode ter implicações para o desenvolvimento e aplicação de estratégias personalizadas para a prevenção e tratamento da obesidade".

Para a população em geral, a influência dos genes no peso corporal é de cerca de 20%, segundo os estudos que nos últimos anos analisaram o genoma de dezenas de milhares de pessoas. Ou seja, "o estilo de vida, como hábitos alimentares e exercício físico, tem grande impacto, mas os fatores genéticos também influenciam", explica a investigadora Nerea Deleyto Seldas.

O excesso de peso e a obesidade são determinados por uma acumulação anormal ou excessiva de gordura que afeta a saúde. Para procurar as variantes genéticas que influenciam o fenómeno e as alterações metabólicas associadas, uma equipa do IMDEA reuniu material genético de 790 voluntários saudáveis ​​e dados como peso, IMC (Índice de Massa Corporal), quantidade de gordura total e visceral, quantidade de massa muscular, entre outros.

Os autores do estudo analisaram as possíveis associações desses parâmetros com 48 variantes genéticas específicas, selecionadas pela sua possível relevância. Desta forma, detetaram uma "correlação significativa entre uma dessas variantes no gene FNIP2 e muitos desses parâmetros relacionados com a obesidade", explica o estudo.

O efeito desta variante foi então estudado em ratos, concluindo-se que os portadores dessa variante genética teriam entre 10% e 15% menos gordura do que os não portadores. 

Em humanos, o efeito desta variante não pode ser separado de muitas outras variáveis ​​genéticas e ambientais que influenciam a constituição física, por isso é impossível calcular com precisão o poder de seu efeito. Mas como a influência da genética na obesidade não é superior a 20%, a contribuição da variante agora identificada é necessariamente pequena. É por isso que os investigadores usam termos como "predisposição" ou "tendência". “Não se pode dizer que quem tem essa variante pode comer em excesso sem ganhar peso”, diz Efeyan.

De qualquer forma os cientistas consideram importante perceber como é que uma alteração genética tão pequena afeta a tendência à magreza. O objetivo no futuro é “entender melhor as bases moleculares do que essa variante genética faz, ou seja, o que está acontecer bioquimicamente com a célula”, acrescenta Deleyto.

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