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Camorra, Cosa Nostra e 'Ndrangheta vão trabalhar juntas para aumentar tráfico na Europa

27 mai 2025, 16:58
Polícia italiana (Getty)

Rivais há vários anos, principais grupos mafiosos estão a unir esforços para controlar os fluxos de tráfico de droga e prostituição na Europa

A máfia italiana está a afastar-se das guerras violentas pelo controlo territorial para se dedicar à colaboração em redes de tráfico de droga, prostituição e branqueamento de capitais. A informação foi avançada esta terça-feira pela Direção de Investigação Antimáfia (DIA), no seu relatório anual sobre os grupos de crime organizado.

Segundo o documento, a Cosa Nostra, da Sicília, e a Camorra, da zona de Nápoles, estão a formar alianças dentro e fora de Itália, enquanto a ’Ndrangheta, sediada na Calábria — o “salto” da bota italiana —, está cada vez mais centrada no controlo de grandes obras públicas. "A convivência favoreceu sinergias que se tornaram progressivamente estruturadas", afirmou o diretor da DIA, Michele Carbone, em conferência de imprensa.

Estas estruturas, acrescentou Carbone, tornaram-se "capazes de absorver sobreposições, tensões e fricções", o que reforça a capacidade de cooperação entre os diferentes grupos mafiosos. A evolução para modelos de colaboração em detrimento da confrontação violenta representa, segundo o relatório, uma mudança estratégica profunda.

Entre os sectores mais visados pelas organizações mafiosas está o da construção civil. Em 2024, este sector foi alvo de 38% das medidas administrativas antimáfia, com investigações em cerca de 200 estaleiros ligados a obras públicas. Entre os alvos de possível infiltração estão projetos financiados pelos fundos de recuperação pós-COVID da União Europeia, os preparativos para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 e a construção da ponte que pretende ligar a Sicília ao continente.

Relativamente a esta última obra, Michele Carbone assegurou que a DIA está pronta para agir. "Em breve terão início todas as atividades de prevenção antimáfia ligadas à construção da ponte sobre o Estreito de Messina", garantiu o responsável.

O relatório destaca ainda a crescente sofisticação tecnológica das máfias italianas, que utilizam canais de comunicação encriptados e mantêm contacto com reclusos através de drones. Paralelamente, redes chinesas de “banca paralela” são cada vez mais utilizadas no branqueamento de capitais. A par disso, o recrutamento de jovens marginalizados para integrarem os chamados "baby gangs" é potenciado por exibições de poder nas redes sociais, usadas como ferramenta de sedução e intimidação.

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