Juan Guaidó: “Hoje, infelizmente, a Venezuela acordou em ditadura"

23 nov, 00:13

Opositor de Maduro apela a reflexão e reunificação da oposição para derrotar regime

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O líder opositor venezuelano Juan Guaidó instou, nesta segunda-feira, a oposição a refletir e reunificar-se, um dia depois das eleições regionais e municipais de domingo, das quais o partido do governo saiu vitorioso em 20 dos 23 estados do país.

Deve abrir-se uma nova fase nos trabalhos pela reconstrução, de reunificação da alternativa democrática na Venezuela, de reforço e clareza nos objetivos que nos têm reunido durante todos estes anos, de assumir as responsabilidades que devem ser assumidas neste momento”, disse o opositor.

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Juan Guaidó falava em Prados del Este, Caracas, durante uma alocução ao país que teve como tema central as eleições regionais e municipais venezuelanas.

"Estou aqui para assumir responsabilidades, como sempre fiz, dando a cara como sempre, ao povo venezuelano.  Este não é o momento para lutas entre partidos, entre egos, para lideranças políticas. É o momento para a reflexão, unidade e de trabalhar pelos venezuelanos, para solucionar um conflito que destruiu o país”, defendeu.

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Juan Guaidó começou dizendo que “hoje, infelizmente, a Venezuela acordou em ‘ditadura’, com um regime ‘ilegítimo’, não só na origem, mas também no desempenho, acusado de crimes contra a humanidade e com uma taxa de pobreza de 94%”.

Hoje, [o presidente Nicolás] Maduro, continua a ser ilegítimo, com um processo, em fase de investigação no Tribunal Penal Internacional, mas também, em que há uma clara expressão dos venezuelanos para sair dessa ditadura e é isso o que nos une (…) os que decidiram participar [nas eleições] e os que não o fizeram, e é o que une hoje a comunidade internacional para acompanhar-nos nessa luta”, explicou Juan Guaidó.

Os resultados eleitorais, segundo o opositor, “são um compromisso ainda maior” para a oposição, que deve manter-se unida, unificada, para atender à crise no país.

Para enfrentar Maduro, "é evidente a necessidade de unificação"

Juan Guaidó enviou os pêsames aos familiares de António Renet, que foi assassinado domingo num centro eleitoral, uma situação que atribuiu a uma tentativa de intimidação, assédio.

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“É parte dos incidentes ocorridos constatáveis, assim como das subidas de tom do Plano República [envio de militares para cuidar dos centros eleitorai], que se tornou um partido político em armas, e que merecem uma profunda reflexão”, frisou.

Guaidó acusou o regime de tentar encurralar a oposição num falso dilema de votar ou não.

“Vão tentar medir a alternativa democrática pela cor do mapa, quando segundo os números produzidos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), nem sequer têm uma maioria nesse sentido”, sublinhou.

O político insistiu que é “evidente a necessidade de unificação e articulação” da oposição “com todos os fatores na Venezuela, para poder enfrentar o regime”, sublinhando que as siglas dos partidos foram sequestradas, que alguns políticos foram financiados para tentar branquear a imagem do regime no estrangeiro.

Juan Guaidó cumprimenta apoiantes durante visita a um bairro de Caracas / AP Images

 

Por outro lado, questionou se uma eleição seria uma solução para o conflito na Venezuela, respondendo que “pode ser", pelo que pediu unidade sincera que legitime os líderes, reconstrua a plataforma unitária, que responda aos interesses dos venezuelanos.

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Sobre o diálogo com o governo venezuelano, acusou presidente Nicolás Maduro de continuar com “uma farsa de congelamento” e instou as Forças Armadas a assumir uma posição, tendo em conta que está muito clara a linha de comando e que o regime é investigado por crimes contra a humanidade.

“Já viram como terminou [o empresário colombiano atualmente preso nos EUA] Alex Saab, depois de ter roubado os venezuelanos e brincado com a fome do nosso povo”, vincou.

Guaidó insistiu ainda na necessidade de um acordo integral, para uma mudança de regime e explicou que “Maduro continua a ser o derrotado neste processo”, precisando que “tentou maquilhar, fazer ver que havia uma abertura, para simplesmente ameaçar os observadores internacionais”.

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