Menino com paralisia cerebral realiza sonho e caminha até aos amigos graças a um exoesqueleto

6 abr, 10:56
Pedro Sánchez com Jorge Muñoz-Torrero e colegas

Foi o dia de escola mais feliz para o pequeno Jorge: rodeado por amigos e professores – e com o primeiro-ministro espanhol ao lado – o menino cumpriu a maior ambição dos seus 12 anos, ao levantar-se, caminhar até aos colegas e brincar com eles

Jorge celebrou esta terça-feira 12 anos e, contrariando aquilo que seria o típico presente para um pré-adolescente, o seu desejo parecia ser muito simples: levantar-se, caminhar até aos colegas e brincar com eles na escola. Para isso, o menino, que nasceu com uma lesão cerebral e usa uma cadeira de rodas para se deslocar, foi colocado num exoesqueleto de última geração que mudou a sua vida nos últimos dois anos e que pode oferecer a milhões de crianças um certo grau de movimento.

A mãe, Eva Muñoz-Torrero, disse ao jornal The Guardian que nunca esquecerá a primeira vez que Jorge colocou o exoesqueleto: "Ele disse: 'podem ficar com a cadeira de rodas. Agora tenho isto e vou levá-lo para casa'". Desde então, o menino implorou para poder levar o equipamento da sala de terapia que visita duas vezes por semana para a escola, nos arredores de Madrid.

Esta terça-feira, Jorge realizou finalmente o seu sonho e, ao entrar na sala onde os amigos o esperavam, foi recebido com aplausos e lágrimas - e a presença do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Depois das prendas terem sido distribuídas e os convidados terem cantado os parabéns, o menino voltou às aulas na sua cadeira de rodas. 

"Isto foi um passo realmente importante porque vimos o quão fundamental é fazer chegar a tecnologia às pessoas com deficiência", afirmou a mãe, que conta que o menino nasceu com uma lesão cerebral que afeta a sua área motora e o impede de andar. Esse dano traduz-se numa doença cognitiva que gera outros problemas de comunicação e linguagem verbal. "Ele precisa de atenção contínua para todos os tipos de tarefas. Está muito dependente".

Exoesqueleto pode ajudar 17 milhões de crianças a andar

A Marsi-Bionics, a empresa que projetou o exoesqueleto, descreve o kit como “o único exoesqueleto pediátrico do mundo que permite que a criança se movimente livremente”, e diz que a sua singularidade está na tecnologia elástica que se adapta ao corpo do utilizador. Este mecanismo, com cerca de 12 quilos, tem a vantagem de não ser invasivo, não possui elétrodos que são inseridos na criança ou no cérebro, ou mesmo sob a pele. "O que fazemos é uma sensorização muito sensível que capta a mobilidade residual da criança”, explica Elena García Armada, investigadora e fundadora da Marsi-Bionics e uma das 30 mulheres mais influentes do mundo da robótica, ao La Voz de Galicia.

Quando a família descobriu esta tecnologia há apenas dois anos, viu que era solução para tirar Jorge da sua imobilidade: "Levantar-se e caminhar é a melhor terapia para ter uma melhor qualidade de vida com desenvolvimento cognitivo e físico", afirmam os pais na página de crowdfunding, acrescentando que esta é uma terapia lúdica e motivadora para Jorge, que sorri alegremente e se esforça para dar os seus pequenos passos.

"É emocionante vê-lo e sentir que ele está ciente da mudança que o exoesqueleto representa - uma nova posição vertical e um novo olhar sobre o mundo: aquele que é comum para o resto das crianças, mas que ele apenas experimentou ao nove anos, pela primeira vez. Jorge está feliz, não se pode pedir mais. A cara dele diz tudo!", prossegue a família, que relata como a primeira sessão com a irmã foi emocionante: "Pela primeira vez, vimos os dois irmãos de pé, a brincar juntos. A emoção de vê-los assim é indescritível".

A empresa, que está a realizar um ensaio clínico com o hospital La Paz, em Madrid, e o Conselho Nacional de Investigação de Espanha, diz que o equipamento pode ajudar 17 milhões de crianças em todo o mundo cujos problemas neurológicos as impedem de andar. Mas o enorme potencial que o exoesqueleto oferece não é barato. Embora a família de Jorge tenha conseguido cobrir os custos da terapia – que podem chegar aos 30.000 euros por ano – através de crowdfunding, nem todos têm esta possibilidade.

A mãe, Eva Muñoz-Torrero, admite que gostaria que mais famílias pudessem testemunhar as mudanças que viu no seu filho. Embora a Jorge nunca tenha faltado disciplina, determinação e um sentido de humor incansável, o exoesqueleto deu-lhe a ele e à família uma enorme motivação: "Também elevou muito a autoestima do Jorge”, disse a mãe. "Ele não já não quer sentar-se na sua cadeira a um canto. Ele quer interagir".

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