"Não acho verdadeiramente normal". Lucília Gago pede desculpa por detenção de 22 dias no caso da Madeira

8 jul, 21:40
Lucília Gago, procuradora-geral da República (Lusa/ José Sena Goulão)

Imagem da justiça saiu "muito fragilizada", mas Lucília Gago garante que o Ministério Público "fez o que tinha de fazer"

A procuradora-geral da República pediu esta segunda-feira desculpas aos detidos na operação que fez cair o governo regional da Madeira. Recordada que três pessoas permaneceram detidas durante 22 dias sem apresentação de medidas de coação - para depois até se ter decidido que deviam sair em liberdade -, Lucília Gago adimtiu que não é normal que isso tenha acontecido.

"Não acho verdadeiramente normal que isso tenha acontecido. Não me lembro de um tão longo prazo em que tenha havido um conjunto de detenções em que tenha havido demora. Lamento que isso tenha acontecido", afirmou, em entrevista conduzida por Vítor Gonçalves na RTP.

A responsável recordou que o caso foi verdadeiramente excecional, acrescentando que "o Ministério Público fez o que tinha de fazer", ainda que a imagem da justiça tenha saído deste caso "muito fragilizada, sem dúvida".

"Não é desejável que os cidadãos fiquem privados de liberdade por um tão longo período de tempo", acrescentou, fazendo depois um paralelismo para a Operação Pretoriano, que resultou numa série de detenções na claque Super Dragões.

Nesse caso, apontou Lucília Gago, vários suspeitos foram libertados dentro do prazo legal.

Em paralelo, lembrou a procuradora-geral da República, havia ainda "uma outra realidade". É que tudo isto aconteceu num contexto de greves de oficiais de justiça, o que "não contribuiu para o bom andamento dessas diligências".

Ainda assim, a disparidade no tempo decorrido entre processos - o da Madeira em Lisboa, o da Operação Pretoriano no Porto - aconteceu "em circunstâncias que escapam" a Lucília Gago, que apontou para a ausência de problemas a Norte.

"Há algo que, de facto, isso sim, deve ser pensado e superado, que é a circunstância de haver cidadãos que são detidos pelas polícias e que depois não podem ser interrogados por força da greve dos oficiais de justiça", vincou, claramente deixando uma bicada na ausência de funcionários, o que pode ser uma crítica à gestão governativa.

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