Treinador do Manchester United lembra os leões, diz que não tem «o mesmo direito» de Vítor Pereira para ir festejar com adeptos nos pubs e faz um balanço da época
A primeira época de Ruben Amorim no Manchester United tem sido marcada por maus resultados, mas o treinador português elogiou o apoio que sente por parte dos adeptos dos «red devils». Contudo, Amorim confessou que tem saudades dos adeptos do Sporting.
«O apoio é inacreditável, pelo momento que estamos a viver. O estádio, os adeptos que temos fora, a forma como nos abordam na rua é completamente diferente daquilo a que estamos habituados em Portugal - e eu sempre gostei e sempre fui um sortudo com os adeptos portugueses e sinto falta dos adeptos do Sporting - mas digo-lhes que sabemos o que estamos a fazer. Isso é muito claro. Todo o barulho à volta do Manchester United… parece que tudo isto está uma confusão, mas está longe de ser uma confusão. Sabemos que a linha é muito ténue e que os resultados é que comandam tudo, mas a única coisa que posso dizer é que sabemos o que estamos a fazer», disse o técnico português numa entrevista à DAZN.
Questionado sobre a possibilidade de ir comemorar vitórias a um pub, tal como Vítor Pereira fez com adeptos do Wolverhampton, Amorim jogou à defesa.
«Não posso fazer isso, porque não tenho o mesmo direito. O mister Vítor Pereira está a fazer um trabalho excecional e teve um grande impacto na equipa. E, depois, eu não bebo. E teria de ir a muitos para ir ter com todos os adeptos do Manchester United. Tinha de fazer uma tour de um mês», brincou.
Ainda quanto aos resultados, o treinador do Manchester United reconheceu que pensa várias vezes na eliminação aos pés do LASK Linz, na qualificação da Liga Europa, na época 2020/21. No final, o Sporting viria a sagrar-se campeão.
«Tudo aqui parece esse tempo. Todo o processo parece esse tempo, mas com uma exposição brutal. Temos de entender que o contexto não é o mesmo, a competição não é a mesma. No Sporting sabíamos que tínhamos alguns jogos em que mesmo empurrando, não jogando tão bem, iríamos ganhar. Aqui é tudo mais difícil. Tenho claro como se faz o processo. Claro que algumas coisas têm de ser diferentes, mas se vocês se lembram, imaginem eu. Penso nisso todos os dias e isso é o que dá mais tranquilidade», confessou.
No que toca a esta época, Amorim admitiu que prefere vencer a Liga Europa – que dá acesso à Champions – do que escalar algumas posições na tabela da Liga inglesa.
«Se tivéssemos de escolher uma coisa, era vencer a Liga Europa. Já se notou um pouco o foco no fim de semana. A forma como perdemos o [Joshua] Zirkzee foi um momento muito difícil no jogo porque também já estávamos a pensar [isso]. É natural que os jogadores pensem nisso», assumiu.
O treinador dos «red devils» apontou ainda que a equipa tem de ser mais competitiva para «sobreviver», mas assegurou que nunca pensou em colocar a sua filosofia em segundo plano e apostar numa veia mais resultadista.
«Ia perder-me um bocadinho. Ia vender uma coisa em que não acredito e tenho muito dificuldade em fazer isso. E sempre pensei que, para sofrermos tudo aquilo que estamos a sofrer este ano, temos de usar o tempo todo. Mais vale sofrer tudo agora. Fazer uma pausa no que queremos, para depois reiniciar no início da próxima época, para mim nunca fez muito sentido. Prefiro arriscar», frisou.
«É uma aposta. Em Portugal, melhor do que ninguém, sabem que isso é muito claro para mim. Se arriscarmos, se fizermos todas estas mudanças, a sofrer o que estamos a sofrer, essa é a única vantagem. Apressar um bocadinho e ter clara noção do que precisamos ou não para a equipa», completou.
