Meios de comunicação ingleses dizem que a direção ficou agastada com a crescente «emotividade» do treinador português
Uma coisa é factual - Ruben Amorim foi despedido do Manchester United na manhã desta segunda-feira, pondo fim a um percurso de 14 meses no histórico clube inglês.
Explorando o jogo de bastidores, a imprensa inglesa traz à luz pormenores apurados dentro da comitiva do Manchester United. Uns contam uma versão, outros outra, mas há pontos em que vários jornais se tocam.
A estrutura tática e a «teimosia» de Amorim face ao seu favorito 3-4-3 é um problema apontado recorrentemente. O Daily Mail escreve que os jogadores ficaram surpreendidos na preleção antes do jogo com o Wolverhampton, que acabaria empatado 1-1, com a reversão do 4-2-3-1 apresentado diante do Newcastle na jornada anterior. Até os treinos foram preparados com quatro defesas.
«Os jogadores ficaram com a impressão de que Amorim não tinha tudo sob controlo. Ele parecia cheio de dúvidas», detalha o jornal. A emotividade é um dos motivos que levou à decisão da estrutura, dizem vários órgãos.
A Sky News garante que a maneira como Amorim falou na última conferência de imprensa, bem como na furiosa reação à derrota com o Grimsby, em agosto, mostrou à direção que Amorim não estava preparado. As críticas públicas a jogadores valeram-lhe uma alcunha dada pelo empresário de um jogador (não nomeado) - «Ruben Interim [interino]», pois antevia o seu despedimento para breve, garante uma fonte ouvida pelo The Times.
Inflexibilidade tática ajudou a perder Antoine Semenyo para o Man. City
A Sky acrescenta que a direção acredita no plantel, ao passo que o treinador apresentava dúvidas quanto à qualidade dos jogadores. Isto após as contratações de Bryan Mbeumo, Benjamin Sesko ou Matheus Cunha serem aprovadas pelo treinador.
A inflexibilidade tática de Ruben Amorim levou até à quebra da negociação com Antoine Semenyo, segundo o The Times. O extremo do Bournemouth chegou a ter uma reunião à distância com o treinador português e com o agora famoso dirigente Jason Wilcox.
Nela, o jogador apresentou reservas quanto à possibilidade de jogar a ala direito, em vez de extremo, no 3-4-3 de Amorim. O técnico disse que não seria inflexível - mas depois fez o contrário, para aborrecimento de Wilcox. Semenyo está prestes a assinar pelo grande rival do United - o City de Guardiola.
No futebol, tudo muda muito rápido. Tanto que, segundo o The Times, o treinador tinha «100 por cento» de apoio da direção do Manchester United em «meados de novembro». Apesar de ter uma relação distante com vários jogadores, estes ficaram surpresos com a decisão da direção nesta segunda-feira. A vida segue para ambas as partes, agora à distância.
