Vítor Pereira lembra dificuldades na infância e diz que não sente pressão, nada: pressão foi quando o pai tinha cancro e a mãe chorava
Vítor Pereira é um dos homens do momento em Inglaterra. O treinador português está a protagonizar uma excelente campanha no Wolverhampton e juntou-se à mesa com vários jornalistas britânicos para se dar a conhecer.
O técnico dos Wolves começou, claro, por abordar a relação com os adeptos. Depois dos jogos, Vítor Pereira criou o hábito de ir a um pub local beber cerveja com os adeptos.
«O que fazemos em Wolverhampton depois de um jogo? Se eu perder o jogo, fico em casa e bebo a minha cerveja sozinho. Se ganhar, vou comemorar com os adeptos», disse.
«A conexão com as pessoas é mais forte quando sofremos juntos e, quando estás numa situação em que estás a lutar pela sobrevivência, sentes essa conexão. Nos momentos em que sofremos, sentes que estamos a sofrer juntos. Nos momentos de celebração, precisas de estar com eles», prosseguiu.
«Em Wolverhampton, onde querem que eu vá? Preciso de ir a um pub, porque essa é a cultura e o lugar para onde as pessoas vão. Quando vou a um pub, não é pela cerveja. Claro que gosto da cerveja, mas vou para estar com as pessoas, para sentir que estou a fazer algo que as deixa felizes, para deixá-las orgulhosas. Trabalho, casa, depois vamos a um bar só para beber uma ou duas cervejas. Essa é a nossa vida», completou.
Vítor Pereira: o treinador que brinda com os adeptos atinge números históricos
Vítor Pereira partilhou ainda algumas recordações da infância, passada em Espinho. O treinador português admitiu que teve de ultrapassar várias dificuldades por ter crescido numa «vila humilde».
«A minha casa ficava a 50 metros da praia. Na altura, o meu pai não tinha dinheiro e morávamos numa cave. O mar, no inverno, era forte, sem barreiras. Todos os invernos, durante três meses, havia água lá dentro. Tínhamos de reconstruir a casa. Sempre que isso acontecia, havia água nas paredes e um mau cheiro. Às vezes ficava envergonhado porque a minha roupa cheirava», confessou.
«Essa era a nossa vida. Mas eu fui um adolescente muito feliz, porque nesse tipo de comunidade temos a nossa malta connosco. Quando olho para trás, esse poder que sinto dentro de mim veio dessa altura», recordou.
Apesar da carreira modesta na terceira divisão portuguesa, Vítor Pereira garantiu que conseguiu juntar dinheiro para formar-se.
«Desde os 16 anos, nunca pedi um euro sequer aos meus pais. Depois dos 16, tive pequenos trabalhos para ganhar dinheiro, para ir à discoteca. Aos sábados, era nadador-salvador na praia. Pagavam-me muito dinheiro. Via o sol e salvava pessoas. Agora tenho 56 anos. Mas os meus filhos vão gastar o dinheiro, não se preocupem», contou.
O português não quer que os filhos sigam o exemplo do pai e entrem no mundo do futebol. «Nos últimos 15 anos, a minha esposa tem sido pai e mãe. Não vi nada. Aniversários, formações... Nunca estive lá. Nunca. Não quero esta vida para os meus filhos. Temos muitos momentos em que sofremos muito. E sozinhos. Acho que estamos sempre numa pré-depressão. Acredito que esses momentos da minha vida me deram a oportunidade de ser mais forte.»
«Às vezes, chego a casa e penso: "Onde estão as minhas roupas?". Não sei onde encontrar os garfos e facas. Mudo de casa e de carro a toda a hora. [A minha família] começa a conversar sobre quando almoçamos ou jantamos e a minha mente está focada em futebol. Às vezes, não consigo entender a conversa. É como se eu começasse a ver o filme... mas perco o filme até ao fim. Chego ao fim e não sei o que aconteceu», reconheceu.
Depois de passagens por diversos países e da morte dos pais, Vítor Pereira garante que já não sente pressão. «A pressão foi quando o meu pai teve cancro e o meu irmão estava a morrer e a minha mãe chorava. Quando lidámos com isso, futebol é futebol. Eu não sinto pressão nenhuma. Nada. Zero. A pressão é a pressão que eu coloco em mim mesmo. Porque eu quero ser melhor. E melhor, melhor e melhor. Se eu estiver no lugar certo para me desafiar, posso fazer magia. Acreditem.»
Sobre o futuro, o treinador português quer dar um passo em frente no Wolverhampton e evitar discutir apenas a permanência.
«Vocês vão ver. Eu não vim para Inglaterra só para evitar a despromoção», rematou.
🚨We sat down with Vitor Pereira over a pint and it did not disappoint! Interview on:
— Liam Keen (@LiamKeen_Star) May 1, 2025
🍺Points then pints
⚽️Footballing journey + almost joining a certain Wolves rival
🏠Family life and earlier struggles
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