Jornais criticam a postura e decisões do treinador português na eliminação humilhante do Manchester United
«Sombrio para Amorim». É esta a frase que está presente em muitas das manchetes dos jornais desportivos ingleses desta quinta-feira.
A possível saída do treinador português do Manchester United é um cenário colocado em cima da mesa e de uma forma que ainda não se tinha visto desde que assumiu os «red devils». A eliminação da Taça da Liga inglesa diante de uma equipa da quarta divisão levantou muitas críticas ao treinador português, desde a opção por Andre Onana na baliza, às várias mexidas na equipa e à inflexibilidade do 3-4-3, passando pela utilização do quadro tático quando a equipa perdia por 2-0, até à gestão de Kobbie Mainoo.
Amorim está no «olho do furacão» e até as próprias palavras no final do jogo sugerem que está desgastado e aberto à saída: «Os jogadores hoje falaram muito alto sobre o que querem. É muito claro. (...) Algo tem de mudar e não vamos mudar 22 jogadores de novo.»
O que diz a imprensa inglesa sobre Ruben Amorim
Simon Stone, BBC
«A imagem de Ruben Amorim encolhido no banco de suplentes em Grimsby vai demorar um pouco para ser esquecida. Não é Amorim quem precisa de encontrar a resposta. O proprietário Sir Jim Ratcliffe, o diretor-executivo Omar Berrada e o diretor-técnico Jason Wilcox são os que devem decidir o futuro do United. (...) Foram eles que pressionaram por Amorim. Berrada foi o homem que voou para Portugal e disse ao treinador que era agora ou nunca, quando Amorim implorou para terminar a temporada no Sporting.»
Carl Anka e Laurie Whitwell, The Athletic
«Amorim não conseguia acreditar no que estava a ver na linha lateral e, enquanto a chuva caía forte, ele provavelmente perguntou-se por que trocou uma vida de sucesso em Portugal por um trabalho aparentemente impossível.
Ele ficou encharcado, inevitavelmente perguntando-se como é que a sua passagem pelo United havia decaído tanto. A sua equipa ofereceu um futebol volumoso e, apesar das discussões sobre erros individuais, há profundas questões sobre o sistema ao qual ele é tão apegado.»
Jamie Jackson, The Guardian
«Amorim pode sobreviver a uma derrota em Old Trafford, mas a questão é esta: nove meses no cargo, o treinador continua a colocar em campo uma equipa que carece de entusiasmo, talento, solidez e qualquer coisa que se aproxime de um padrão de jogo percetível. Após a confusão da atuação da sua equipa, Amorim ficou ao lado do campo e foi presenteado com versos alegres de "serás demitido pela manhã": essa piada cruel cristaliza nitidamente o estado em que o United se encontra — e o seu treinador é culpado.»
Jonathan Liew, The Guardian
«É claro que a pena do ridículo agora chegou para o próprio Amorim. Ele é um ideólogo louco, uma loucura dispendiosa, teimoso e inflexível, apegado ao seu sistema 3-4-3, o último homem na Terra incapaz de perceber que não está a funcionar»
A base de fãs, em pequenos graus, distanciou-se emocionalmente na última década. O que resta? Quem em sã consciência ainda consegue acreditar nisso? Sob essa luz, no meio deste turbilhão (...) talvez ele seja até mesmo a última coisa real no United, a única pessoa que ainda encara este projeto como verdade, a única que trata este clube de futebol como um clube de futebol e não como um ativo, uma máquina de dinheiro, um espaço publicitário, uma fonte de conteúdo, uma piada, um teatro do absurdo.»
Samuel Luckhurst, Manchester Evening News
«A linguagem corporal de Ruben Amorim lembrava a de um treinador condenado durante boa parte da noite. Em determinado momento, ele parecia estar a discutir com o seu adjunto, Carlos Fernandes. Aqueles dias soalheiros em Chicago durante a digressão de pré-temporada no mês passado, quando Amorim estava bronzeado e arejado, parecem um devaneio.»
Steven Railston, Manchester Evening News
«O desempenho contra o Grimsby colocará ainda mais pressão sobre Amorim num momento da temporada que deveria ser de otimismo. O moral no vestiário melhorou significativamente ao longo do verão, Amorim recebeu contratações de alto valor e a pré-temporada foi positiva. Mas os resultados ditam a narrativa. Certo ou errado, a conversa sobre a duração de Amorim já começou.»