Campeão na segunda divisão da Arábia Saudita, o médio formado no Sporting cruzou caminhos com diversas figuras no Atlético, B SAD e Casa Pia. Nos «Gansos» partilhou balneário com Lelo e Jota Silva. Entusiasmado com o momento do futebol nacional, Afonso Taira torce pelo pai e pelo Belenenses, que disputam a subida à II Liga - PARTE II
Selada a conquista da segunda divisão saudita – ao serviço do Abha Club – Afonso Taira está a dois jogos de concluir a terceira temporada na Arábia. Aos 33 anos, o médio formado no Sporting conta com épocas na Roménia e Israel, além de capítulos por Estoril, Atlético, B SAD e Casa Pia.
Em entrevista ao Maisfutebol a partir de Abha, no sul da Arábia, Afonso Taira recorda figuras discretas que, entretanto, deram o “salto”. Ora Franclim Carvalho, ora Jota Silva e Leonardo Lelo.
Por terras onde o nome de Cristiano Ronaldo ecoa com frequência, o médio não arrisca um desfecho para o Mundial 2026, mas garante que o percurso de Portugal vai ser «entusiasmante».
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Maisfutebol (MF): Na formação do Sporting partilhou balneário com figuras como William Carvalho, Cédric e João Mário. Algum destes nomes tornou-se marcante?
Afonso Taira (AT): São marcantes pela carreira que conseguiram e pelo que representaram, tanto no Sporting como na Seleção. É um gosto vê-los singrar.
MF: Numa fase inicial da carreira, depois de uma curta passagem por Espanha, reforçou o Atlético na II Liga, em 2012, e trabalhou com o professor Neca. Qual o impacto deste treinador?
AT: O professor Neca é um espetáculo, de um trato especial, com a sua forma de comunicar ao estilo tradicional e correto, como os nossos avós. Tratou-me muito bem. Infelizmente não tivemos muito sucesso, foi uma época arrancada a ferros. Mas ficou uma boa amizade. Nunca se esquece de mim.
MF: No vaivém da carreira, regressou a Portugal e à Liga para representar a B SAD em 2020. Foi treinado por Petit, então auxiliado por Franclim Carvalho, atual treinador do Botafogo.
AT: É verdade. Não fico muito surpreendido. No Brasil, como adjunto do Artur Jorge no Botafogo, conseguiu exposição e esta oportunidade. O nível de conhecimento tático, de abordagem ao jogo e de performance exigidos não estão desfasados da capacidade do Franclim. É um treinador com muito conhecimento e que ajudou a complementar a ideia de jogo do Artur Jorge. Torço muito pelo sucesso do Franclim.
MF: Em 2021 reforçou o Casa Pia, na II Liga, então orientado por Filipe Martins, que esteve internado. De que forma o grupo lidou com esta ausência e alcançou a subida?
AT: Foi o momento mais difícil no Casa Pia. Mas também especial, porque o mister recuperou. Tínhamos um grupo fantástico. O Casa Pia tinha uma estrutura fantástica, que não deixou que esse momento nos fragilizasse em excesso. O então adjunto Vasco Matos assumiu a liderança e fez um trabalho fantástico. O comboio manteve-se em andamento.
MF: O tempo provou que aquele Casa Pia era de luxo para a II Liga. Além de Filipe Martins e Vasco Matos, contavam com jogadores como João Bravim (U. Leiria), Lucas Paes (Torreense), Ricardo Batista (Casa Pia), Leonardo Lelo (Sp. Braga), Jota Silva (Besiktas) e Afonso Taira.
AF: O tempo dá razão. Na época seguinte [2022/23] ficou provado que era um plantel com nível de Liga. Na altura não se dizia que era um plantel de luxo para o Casa Pia.
MF: Leonardo Lelo e Jota Silva destacam-se nesse lote…
AT: Lembro-me perfeitamente do Jota quando cheguei ao Casa Pia, porque ele não era uma figura central, mas destacava-se pela determinação, pressão e movimentos distintos. Aliando à capacidade física e de remate, criava muitas situações de golo. Não fiquei surpreso pelo salto que deu para o Nottingham, porque pode jogar em Inglaterra, ou no topo em Portugal.
MF: Falou com o Jota Silva aquando da transferência falhada para o Sporting?
AT: Falámos. Não há quem esteja preparado para isso. Passamos o verão e o mercado a pensar sobre o próximo passo, mas as decisões não dependem só do jogador. E muitas vezes nem sabemos o porquê de um negócio falhar. São momentos que requerem força mental e o Jota é forte.
MF: Quanto ao Lelo, entende que demorou a dar o “salto”?
AT: Era óbvio que podia jogar no Sp. Braga. O Lelo tem um perfil menos mediático e comercial, porque é um jogador que prima pela decisão acertada, pelo entendimento de jogo, não é um lateral-esquerdo talhado para o choque, como o Nuno Mendes, por exemplo. Ainda assim, o Lelo está confortável em diferentes posições e em espaços reduzidos. Ele sabe como desmontar as defesas e como servir os avançados, daí a quantidade de assistências que consegue.
MF: Que avaliação lhe merece o futebol nacional? Chegou a defrontar o Rui Borges, quando este treinador estava na II Liga.
AT: O FC Porto é um justo campeão, as melhores defesas ganham campeonatos. A equipa mais robusta, estável e compacta acaba por ser campeã. De salientar que há dois treinadores portugueses nos “grandes”, o que nem sempre acontece. E o Rui Borges merece o sucesso que conseguiu. O campeonato português tem cada vez mais clubes que merecem estar no topo, pelas estruturas, pelo brio financeiro, pelos projetos duradouros. Tudo isso são passos positivos.
MF: Na Liga 3, o Belenenses conta com José Taira como diretor-desportivo e está na luta pelo regresso à II Liga. Vai acontecer?
AT: Torço muito pelo meu pai e pelo Belenenses. No jogo em que nos sagrámos campeões no Abha, não pude jogar por acumulação de cartões amarelo, então estava na bancada e aproveitei para acompanhar o Belenenses no telemóvel. Sofro por eles. Foram fortes toda a época. Espero que subam.
MF: (…)
AT: O meu pai e o Zidane serviram de referências. Neste momento, enquanto médio, quem mais aprecio ver jogar é o Vitinha.
MF: Para fechar, Portugal vai conquistar o Mundial 2026?
AT: [Risos] Vamos ter Portugal a lutar. Vai ser muito entusiasmante ver a nossa Seleção.
