Lula da Silva recebido em Belém sob apoio e protestos de brasileiros

Agência Lusa , DCT, atualizada às 20:41
18 nov, 19:34
Lula da Silva recebido com apoio e protestos (AP Photo/Armando Franca)

Os dois grupos de dezenas de manifestantes – ligeiramente em maior número do lado contra Lula da Silva – tinham menos de cinco metros a separá-los entre si, atrás de grades metálicas e perante um contingente policial reforçado

Três autocarros da Carris frustraram hoje, em frente ao Palácio de Belém, manifestantes contra e pró-Lula da Silva, quando o Presidente eleito do Brasil saía de um encontro com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Os dois grupos de dezenas de manifestantes – ligeiramente em maior número do lado contra Lula da Silva – tinham menos de cinco metros a separá-los entre si, atrás de grades metálicas e perante um contingente policial reforçado.

“Lula ladrão, o seu lugar é na prisão”, gritaram manifestantes que contestam a vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva nas presidenciais de 30 de outubro.

“Brasil, Brasil, Brasil, vitória”, replicavam, por sua vez, os apoiantes de Lula da Silva.

Os apoiantes contra e pró-Lula da Silva esperavam a saída do Presidente eleito do Brasil de uma reunião com o chefe de Estado português, no primeiro de dois dias da sua visita a Portugal, tendo-se também encontrado no Palácio de Belém com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

À saída de Lula da Silva, os manifestantes reforçaram os seus gritos a favor e contra o político brasileiro, mas quando a polícia cortou o trânsito para facilitar a circulação da comitiva, três autocarros da Carris fizeram uma barreira entre o palácio e a concentração.

O empresário Daniel Rolha, há 18 anos radicado em Portugal, disse à Lusa que apesar da divisão evidente entre os brasileiros concentrados em frente ao Palácio de Belém, “o Brasil não é um país divido”.

“Não acredito num Brasil dividido, mas reconheço que o grande desafio de Lula da Silva é unir os brasileiros”, vincou o apoiante do Presidente eleito.

A administradora de empresas Joyce, há seis anos a viver em Portugal, afirmou à Lusa que estava em frente ao Palácio de Belém, “para protestar contra a corrupção e o roubo da vitória eleitoral de Jair Bolsonaro” nas eleições de 30 de outubro.

Questionada sobre a inevitabilidade de Lula da Silva tomar posse em 01 de janeiro próximo, Joyce, que recusou revelar o apelido, foi perentória: “As forças armadas não vão permitir”.

A seu lado, eram muitos os cartazes em que se podia ler “SOS Forças Armadas”, um dos desejos dos apoiantes do atual Presidente, Jair Bolsonaro, nas manifestações dentro e fora do Brasil desde o anúncio do resultado das eleições.

Os apoiantes de Lula da Silva foram os primeiros a abandonar a concentração, seguidos algum tempo depois dos apoiantes de Jair Bolsonaro.

Luiz Inácio Lula da Silva ganhou as eleições presidenciais de 30 de outubro com 50,9% dos votos, contra 49,1% para o atual Presidente, Jair Bolsonaro, que procurava um novo mandato de quatro anos.

Lula da Silva assumirá novamente a Presidência do Brasil em 1 de janeiro de 2023.

Presidente eleito do Brasil deixou Belém ainda com assobios de manifestantes pró-Bolsonaro

O Presidente eleito do Brasil deixou o Palácio de Belém sem declarações, sob incentivos dos seus apoiantes e protestos de manifestantes pró-Jair Bolsonaro.

Ainda faltava uma hora para Luís Inácio Lula da Silva chegar para a reunião com o Presidente português e já um grupo de dezenas de manifestantes cantavam em frente ao Palácio de Belém, do outro lado da rua: "Se for preciso a gente acampa, mas o ladrão não sobe a rampa" e "Lula ladrão, vai para a prisão".

Tudo isto sob o olhar atento e próximo de vários elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP).

Ânimos e assobios que subiram de tom quando, pouco passava das 16:30, o carro que transportava o Presidente eleito do Brasil subiu efetivamente a rampa da residência oficial do Presidente português, constatou a Lusa no local.

Ali bem perto, aliás, logo ao lado, também havia um grupo de apoiantes de Lula da Silva.

Os apoiantes de Bolsonaro mantiveram-se em protesto até depois de Lula da Silva ter deixado o palácio presidencial.

Porém, não ocorreram incidentes, mesmo quando o carro do Presidente eleito do Brasil saiu, disse à Lusa um elemento da PSP no local.

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