Lula quer "ampliar" relações bilaterais com a China, o "maior parceiro comercial" do Brasil

Agência Lusa , BCE
3 jan, 00:06
Lula da Silva e Wang Qishan (D.R.)

Mesmo antes de assumir o poder, Bolsonaro afirmou que não permitiria que a China assumisse o controlo de empresas brasileiras ou tirasse partido das suas relações com o Brasil

O presidente brasileiro, Lula da Silva, disse esta segunda-feira ao vice-presidente chinês, Wang Qishan, estar disposto a expandir as relações com o gigante asiático, o principal parceiro comercial do Brasil.

“Recebi do vice-presidente China, Wang Qishan, uma carta do presidente Xi Jinping com seus cumprimentos e vontade de ampliarmos a cooperação”, indicou o novo presidente brasileiro no Twitter.

“A China é nosso maior parceiro comercial e podemos ampliar ainda mais as relações entre nossos países”, acrescentou.

A China deslocou os Estados Unidos como principal parceiro comercial do Brasil há quase uma década e nos últimos anos tornou-se uma das principais fontes de investimento direto estrangeiro no país.

De acordo com dados divulgados esta segunda-feira pelo Governo, o Brasil teve um excedente comercial recorde de 62,31 mil milhões de dólares em 2022, graças em parte ao aumento do comércio com a China.

A China foi o maior destino das exportações brasileiras no ano passado, com vendas de 91,26 mil milhões de dólares, e também a maior fonte de importações do país, com compras de 61,5 mil milhões de dólares.

Muito atrás, a União Europeia foi o segundo maior destino das exportações brasileiras, com vendas de 51 mil milhões de dólares, e os Estados Unidos foram a segunda maior fonte de importações, com 51,31 mil milhões de dólares.

O comércio entre os dois países cresceu nos últimos anos apesar de um arrefecimento nas relações durante o mandato de Jair Bolsonaro, que chegou ao ponto de insinuar que a China tinha provocado intencionalmente a pandemia da covid-19.

Mesmo antes de assumir o poder, Bolsonaro afirmou que não permitiria que a China assumisse o controlo de empresas brasileiras ou tirasse partido das suas relações com o Brasil.

Pelo contrário, Lula disse antes de tomar posse que o seu Governo iria expandir as relações não só com países latino-americanos e africanos, mas também com grandes potências como a China e os Estados Unidos, com os quais disse que iria ter relações pragmáticas.

Wang Qishan foi um dos vários líderes estrangeiros que participou na tomada de posse de Lula, que dedicou o primeiro dia do seu Governo ao reforço das relações externas com um dia de reuniões com várias delegações que participaram na sua tomada de posse.

Além do vice-presidente chinês, Lula recebeu, entre outros, o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, de Timor-Leste, da Guiné-Bissau, o Rei de Espanha, Felipe VI, e os presidentes da Argentina, Alberto Fernández, Bolívia, Luis Arce, e Colômbia, Gustavo Petro.

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