A promulgação do acordo Mercosul-UE ocorre após a aprovação pelo Congresso Nacional brasileiro, ainda em março deste ano
O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, promulgou esta terça-feira o acordo Mercosul-União Europeia e afirmou que o tratado foi firmado "a ferro, suor e sangue".
O tratado de livre comércio, negociado ao longo de mais de 25 anos entre os dois blocos económicos, entra em vigor provisoriamente na sexta-feira.
Durante a cerimónia no Palácio do Planalto, Lula da Silva criticou a demora da assinatura do acordo de livre comércio e declarou que “quando o acordo vem dos colonizadores para os colonizados, vem com mais rapidez”.
“Mas quando os colonizados resolvem levantar a cabeça e dizer que eles têm direitos, as coisas ganham mais dificuldades, porque nos tornamos competitivos com produtos produzidos em outros países”, declarou.
“Esse acordo foi feito a ferro, suor e sangue, porque querem evitar que o Brasil cresça, dispute, coloque seus produtos no mercado estrangeiro. E ele veio no momento para reforçar a ideia consagrada do multilateralismo”, afirmou.
Ainda no evento, o líder brasileiro declarou que os dois blocos económicos deram uma reposta de “multilateralismo e na relação cordial entre as nações” ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que praticou “taxações de forma unilateral com o mundo inteiro”.
Ao citar a política de aplicação de tarifas da Casa Branca, do ano passado, o dirigente disse que o Brasil, "ao invés de ficar chorando o leite derramado", procurou novos parceiros.
"Está cheio de gente querendo vender, gente querendo comprar. Brasil hoje não é uma republiqueta, o Brasil é um grande país. Se o Brasil aprender a se respeitar, a gente vai negociar em igualdade de condições em qualquer país”, finalizou.
A promulgação do acordo Mercosul-UE ocorre após a aprovação pelo Congresso Nacional brasileiro, ainda em março deste ano.
a 21 de abril, quando esteve em Lisboa, Lula da Silva declarou que Portugal pode assumir um papel estratégico como principal porta de acesso dos interesses empresariais brasileiros na Europa.
Além disso, declarou à época que a parceria entre os dois países deve avançar para além do comércio tradicional, com a incorporação de etapas produtivas no território português.