Luís Neves garante que respeita o antigo primeiro-ministro, mas descarta que a sua independência no exercício de funções esteja em causa
O ministro da Administração Interna diz estar tranquilo quanto às opiniões sobre a sua transição direta de diretor nacional da Polícia Judiciária para o Governo.
Luís Neves foi questionado pelos jornalistas acerca das críticas do antigo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que afirmou a sua nomeação para ministro “não deu um bom sinal”.
Vejo essa posição, e todas as outras posições – algumas delas conheço – com a maior tranquilidade, mas também com o maior respeito. Nem todos temos de pensar da mesma forma”, explicou o governante, após a abertura do Ano Académico 2025/2026 do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI).
“Quando fui convidado pelo senhor primeiro-ministro para assumir estas funções, pensei, de facto, em algumas destas questões, e pus no prato da balança. Mas quero dizer-vos o seguinte: o diretor nacional da PJ não investiga, aporta meios. A instituição Polícia Judiciária tem uma forma orgânica de guardar segredo. Por isso, senti-me completamente tranquilo e à vontade para dar este passo”, acrescentou.
Luís Neves diz também estar “absolutamente blindado” na questão da independência do seu trabalho.
“Nunca na minha vida coloquei qualquer questão fosse a quem fosse. Estou a falar para vós como para as pessoas com quem trabalhei, são milhares de investigadores. Nunca houve qualquer interferência, nunca houve qualquer pergunta, nunca houve qualquer pesquisa. A esse respeito, estou absolutamente blindado”, afirmou o ministro.
Referindo ter “grande respeito” por Pedro Passos Coelho, Luís Neves referiu ainda estar “muito seguro” quanto à sua decisão. “Se sentisse que haveria o mínimo de conflito de interesses relativamente a esta questão, eu próprio não teria aceitado”.