Luís Neves "não tem o direito de pôr em causa o bom nome da PJ". Juiz Eurico Reis lamenta falta de "respeito" do agora ministro
Magistrado lembra que até os maus caminhos "começam com pequenas transgressões", olhando para este caso como algo que diz muito sobre a sociedade em geral
“Todo este assunto traz-me uma grande tristeza”. O juiz Eurico Reis ficou surpreendido com todas as polémicas que vão aparecendo em torno de Luís Neves, a última das quais relacionada com o Tribunal de Contas, num caso que o Ministério Público já está a investigar.
Em entrevista na CNN Portugal, o magistrado começou por dizer que tinha o agora ministro da Administração Interna em muito boa conta, mas que a sucessão de casos vai transformando essa visão.
Reconhecendo o direito de Luís Neves à sua vida privada e às ações legítimas nessa mesma esfera, Eurico Reis entende que o antigo diretor da Polícia Judiciária “não tem o direito de pôr em causa o bom nome da Polícia Judiciária e fragilizar as instituições”.
Questionado se é isso que está em causa, o juiz é taxativo: “É, infelizmente é”. E Eurico Reis recorda até aos seus primeiros anos como magistrado, nos quais trabalhou diretamente com a Polícia Judiciária, até porque era o juiz de instrução que dirigia as investigações na altura.
“A Polícia Judiciária é uma instituição que merece o maior respeito”, defende o juiz, que sublinha a palavra respeito, defendendo que Luís Neves “não se preocupa com o prestígio” de uma instituição que dirigiu durante vários anos.
Eurico Reis olha para este caso e vê algo maior, algo que fere o Estado de Direito, nomeadamente as questões éticas e morais e o que está correto.
“Quando começamos a permitir pequenas transgressões, pequenas coisinhas… É assim que se começa. Qualquer caminho, também os maus caminhos, começam com pequenas transgressões. Perdoamos, e depois é isto”, reiterou.
O juiz lamenta que exista, assim, uma “corrupção moral” antes de qualquer outra na sociedade portuguesa. Eurico Reis até admite que “às vezes não é fácil” traçar a linha, mas as exceções devem “ser imediatamente reportadas para as entidades que têm o dever de dizer se é justificado ou não esse tipo de comportamento poderem apreciar isso”.
Sobre as últimas informações, nomeadamente as relacionadas com o Tribunal de Contas
