Novo ministro invoca uma "costela alentejana", não vê problema em passar diretamente da PJ para o Governo e faz um aviso: "Ninguém é dono de nada"

23 fev, 10:16

trabalhar na ad é trabalhar na prevenção, na ativação e na proatividade em todas as áreas. 

conto com o apoio de todos

sobretudo uma palavra aos autarcas. sou um homem da beira baixa, com uma costela do alentejo, conheço o interior, conheço os anseios e as dificuldades das pessoas.

Luís Neves tomou posse como ministro da Administração Interna. Explica que sentiu um "apelo" e que por isso aceitou o convite - e fê-lo "sem reservas"

Luís Neves, até agora diretor nacional da Polícia Judiciária, tomou posse esta segunda-feira como ministro da Administração Interna. Numa breve declaração aos jornalistas, explicou porque aceitou o cargo.

"Em primeiro lugar, foi uma questão de exigência pelo momento. Sempre fui um servidor público, dei toda a minha vida e a disponibilidade ao Estado, ao país, às pessoas, e é isso que eu pretendo fazer neste momento de grande exigência. Continuarei a trabalhar com a minha equipa que me rodeia, mas quero sobretudo dizer-vos o seguinte: em todos os momentos da minha vida em que liderei gente fantástica disse-lhes sempre para não serem taticistas, para ousarem pensar, para ousarem fazer, para ousarem agir sempre em prol e em persecução do interesse público - e sobretudo das pessoas", afirmou.

"E, por isso, neste momento de grande exigência, conforme já referi, senti este apelo. Estaria praticamente dentro de um ano a terminar a minha carreira enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária e, enquanto elemento ativo e com força e com vontade, decidi abraçar este novo projeto. É sempre uma decisão difícil, não só por aquilo que foi a minha carreira e a minha vida, sobretudo na recuperação da instituição da Polícia Judiciária - e sobretudo pelos desafios que a área da administração interna colocam e colocarão sempre."

Sobre qualquer conflito de interesses por passar diretamente da PJ para ministro, Luís Neves vincou que "o diretor da Polícia Judiciária não investiga ninguém", referindo-se ao caso que envolve o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Ainda sobre esta passagem da direção nacional da Polícia Judiciária para a esfera do poder executivo, sublinhou que se sente "completamente tranquilo". "Aceitei com muito ânimo, ciente do papel que tive e ciente do papel que tenho e ciente do cargo que agora assumo." E afasta quaisquer "reservas" nesta transição.

Luís Neves afirma que vai continuar "a trabalhar no sentido de dotar as pessoas, as mulheres e os homens, as instituições, dos melhores meios possíveis". "O que quero dizer é que trabalhar na Administração Interna é trabalhar na prevenção, na antecipação, na proatividade. É trabalhar também com um espírito aberto de cooperação, colaboração e coordenação em todas as áreas. E por isso dirijo uma palavra de grande estímulo e dizer que, com o apoio de todas as mulheres e homens que trabalham nas estruturas, na Guarda Nacional Republicana, na Polícia de Segurança Pública, na Proteção Civil, nos bombeiros, nas Forças Armadas enquanto agentes de Proteção Civil, em todas as estruturas que aqui concorrem e, sobretudo, uma palavra para os autarcas."

Luís Neves diz que é "um homem da Beira Baixa", que tem "uma costela alentejana", invoca isso para argumentar que sabe "o que é o interior do país". "Conheço os anseios e as dificuldades das pessoas e, por isso, conto com todos os autarcas, com todo o poder local, para juntos podemos levar por diante aquilo que é a missão que hoje assumi e a equipa que assumimos funções. Por isso, coordenação, cooperação, que ninguém se sinta dono de nada, há momentos em que todos temos de interagir e trabalhar como um corpo só, como uma equipa e este foi sempre o meu espírito com o qual lidei toda a minha vida. Desde pequenos grupos até à última instituição que dirigi, estes são os princípios que me irão nortear na minha ação e na ação, naturalmente, da equipa do Ministério da Administração Interna".

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