Luís Neves não entregou declarações de rendimentos por desconhecer que tinha de o fazer - e tentou não ter de as entregar
Em conferência de imprensa, o ministro da Administração Interna disse que tanto ele como os outros colegas da direção da PJ nunca foram contactados pelo Tribunal Constitucional “para entregar qualquer tipo de declaração de rendimentos”
Luís Neves afirmou esta quarta-feira que desconhecia que tinha de entregar declarações de rendimentos enquanto diretor-nacional da Polícia Judiciária.
Em conferência de imprensa, o ministro da Administração Interna disse que tanto ele como os outros colegas da direção da PJ nunca foram contactados pelo Tribunal Constitucional “para entregar qualquer tipo de declaração de rendimentos”.
No entanto, Luís Neves afirma que, “em maio de 2025, eu e os meus colegas da direção da PJ fomos informados pela Entidade para a Transparência que devíamos entregar as nossas declarações de rendimentos”.
“Estas declarações expõem, entre outros, as moradas, neste caso, de dirigentes policiais. No meu caso em particular, quero enfatizar, estive sobre medidas de proteção e segurança, fui ameaçado juntamente com a minha família por máfias e delinquentes da pior espécie. Era um risco enorme prestar certo tipo de informações de carácter pessoal”, disse o ministro, que disse ter apresentado, juntamente com os seus colegas, um parecer junto da Entidade para a Transparência a defender a não entrega das declarações de rendimentos por motivos de segurança.
“A Entidade para a Transparência, em dezembro de 2025, não acolheu o nosso parecer e, nesse sentido, entregámos a respetiva declaração, o que no meu caso sucedeu em 16 de fevereiro de 2026, tempos antes de saber que estava nestas funções, porque precisei de tempo para recolher certa documentação”, esclareceu.
Luís Neves reconheceu que a declaração inicial não incluiu a empresa da mulher. “Nunca existiu qualquer tentativa de ocultação até porque não tinha negócios nenhuns ainda. Toda a informação relacionada com a empresa é pública e está disponível em plataformas públicas. Esta empresa foi criada com o objetivo de explorar um alojamento local”, clarificou.
A versão corrigida desta declaração foi entregue em maio, afirmou o ministro, e foi validada pela Entidade para a Transparência.
