Polémica com atrelado. Destruição de químicos para produzir droga custava muito menos do que garantiu Luís Neves
Exclusivo. Luís Neves disse que destruir químicos do atrelado custaria 150 mil euros. Empresas do setor garantem que seria muito menos
Destruição de materiais químicos do atrelado poderia ser "50 vezes" mais barata do que alegou Luís Neves
Caso Luís Neves. "Fica uma grande estranheza sobre a enorme incompatibilidade" de orçamentos para a destruição dos materiais químicos
Os 150 mil euros seriam para destruir todos os químicos encontrados na referida operação de combate ao tráfico de droga que resultou no desmantelamento do maior laboratório de cocaína alguma vez descoberto em Portugal e não apenas os 62 bidões de 200 litros que foram colocados à guarda do empreiteiro
A destruição dos químicos apreendidos pela Polícia Judiciária e levados de um parque das autoridades no Seixal para a empresa de um empreiteiro de Barcelos custaria muito menos do que foi garantido pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, na conferência de imprensa onde tentou esclarecer todas as dúvidas sobre as polémicas em que está envolvido.
O ministro e ex-diretor nacional da Polícia Judiciária garantiu que a ida para a empresa Construbarcelos foi um acto de boa gestão e a única solução possível perante os 150 mil euros pedidos para destruir os químicos perigosos - dinheiro que a PJ não teria no seu orçamento -, mas e-mails consultados pela investigação da TVI/CNN Portugal/Nascer do Sol colocam em causa as explicações avançadas pelo governante.
Os 150 mil euros seriam para destruir todos os químicos encontrados na referida operação de combate ao tráfico de droga que resultou no desmantelamento do maior laboratório de cocaína alguma vez descoberto em Portugal e não apenas os 62 bidões de 200 litros que foram colocados à guarda do empreiteiro que além de 17 contratos assinados com a PJ para obras também fez trabalhos em propriedades de Luís Neves no Alentejo.
A TVI/CNN Portugal/Nascer do Sol também contactou empresas do sector para perceber quanto custaria destruir os químicos presentes no atrelado e os valores são muito mais baixos do que 150 mil euros.
Num caso o preço indicado rondará os 3 mil euros, enquanto noutro - bem mais caro - não deveria ultrapassar os 38 mil euros mesmo que, neste último caso, a empresa tivesse de enviar os químicos para serem incinerados no estrangeiro.
Contactado, o ministro da Administração Interna responde reiterando as afirmações expressas na conferência de imprensa: "A decisão em causa teve por base informações que lhe foram transmitidas pelos serviços competentes da PJ".
Os detalhes da investigação da TVI/CNN Portugal/Nascer do Sol podem ser lidos esta sexta-feira nas páginas do jornal ou vistos no Exclusivo do Jornal Nacional da TVI também esta sexta-feira.
