Luís Neves escondeu empresa da mulher
Só há menos de dois meses é que Luís Neves corrigiu a declaração junto da Entidade para a Transparência. E pela primeira vez declarou aquilo a que está obrigado: que a empresa da sua mulher, AL Campos, também é sua por serem casados em comunhão de adquiridos
Luís Neves não declarou à entidade para a Transparência que a empresa da mulher também é sua. Escondeu essa informação quando ainda era diretor nacional da Polícia Judiciária e voltou a omitir quando, há cinco meses, chegou a ministro da Administração Interna.
Só há menos de dois meses é que Luís Neves corrigiu a declaração junto da Entidade para a Transparência. E pela primeira vez declarou aquilo a que está obrigado: que a empresa da sua mulher, AL Campos, também é sua por serem casados em comunhão de adquiridos.
Na consulta às declarações detetámos esta alteração relevante, feita já depois de o governante ter assumido funções como ministro da Administração Interna.
A cronologia é reveladora.
Em novembro de 2024, ao ser reconduzido pelo Governo como diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves entrega a obrigatória Declaração Única prevista na Lei n.º 52/2019, de 31 de julho.
No campo destinado à identificação de quotas, ações, participações ou outras partes sociais em sociedades civis ou comerciais, escreve simplesmente: “nada a declarar”.
Em fevereiro deste ano, quando deixa a direção nacional da PJ e toma posse como ministro da Administração Interna, apresenta mais duas declarações: uma como diretor cessante e outra como novo membro do Governo.
Nas duas volta a afirmar exatamente o mesmo: não tem qualquer participação em empresas.
Só que a sociedade unipessoal AL Campos já existia desde 16 de junho de 2023, estando constituída em nome da mulher.
Por razões que o ministro não esclareceu, apesar das perguntas que lhe foram enviadas, a AL Campos nunca constou das declarações entregues enquanto exerceu funções como diretor nacional da Polícia Judiciária, nem da primeira declaração apresentada como ministro.
A situação só seria corrigida a 25 de maio deste ano, quando Luís Neves entregou uma Declaração Única de substituição, que passou a prevalecer sobre todas as anteriores e que apenas há poucos dias ficou disponível para consulta pública.
É nessa declaração, entregue meses depois de deixar a liderança da PJ e já como ministro, que passa finalmente a constar a participação na empresa da mulher.
A mesma declaração revela ainda informação patrimonial que não constava das versões anteriores: uma conta bancária à ordem com 133.628 euros e garantias patrimoniais de 180 mil euros junto do Montepio e da Caixa Geral de Depósitos.
