Paulo Rangel desafia o PS a abster-se na moção de confiança “se quer tanto” uma comissão de inquérito

Agência Lusa , MJC
5 mar 2025, 19:20

O ministro dos Negócios Estrangeiros deixou ainda uma garantia: “Leiam os meus lábios. Com moções de censura, com votos de confiança, o que aconteça, o que acontecer, o primeiro-ministro não desiste, não vai desistir"

Paulo Rangel desafiou o PS a abster-se na moção de confiança que o Governo anunciou que irá apresentar. Os socialistas já disseram que vão votar contra - o Chega também, o que fará cair o Governo.

Para Paulo Rangel, se o PS “se quer tanto” uma comissão parlamentar de inquérito sobre a situação do primeiro-ministro relativa à empresa Spinumviva, então que deixe passar a moção de confiança abstendo-se.

Foi Paulo Rangel, ministro de Estado e número dois do Governo, que fez o encerramento pelo Governo do debate da moção de censura do PCP, na Assembleia da República, depois de Luís Montenegro ter anunciado na abertura que o Governo vai apresentar uma moção de confiança que poderá conduzir a eleições antecipadas.

O ministro acusou o PS de apenas ter proposto uma comissão parlamentar de inquérito quando percebeu que a moção de confiança do Governo iria mesmo avançar. “Senhores deputados do PS, se querem tanto a Comissão Parlamentar de Inquérito, têm bom remédio, abstenham-se no voto de confiança e começa a inquirição daqui a 15 dias”, desafios.

Rangel acusou o PS de ter agido, neste debate e nos últimos dias, com “taticismo e duplicidade”, e de não querer a moção de censura e “ter pavor” da de confiança. “Com tanta errância e falta de clareza, o PS fez a figura de ‘agarrem-me se não eu mato-o. Na verdade, o PS não quer moção de censura, não quer moção de confiança, quer uma nova figura na política portuguesa: a moção de descensura”, ironizou.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros estendeu as críticas a toda a oposição, que acusou de ter agido no caso da empresa familiar do primeiro-ministro como “numa novela picaresca” e “com a curiosidade ‘voyeurista’ do vizinho do lado ou da senhora do segundo andar, proclamando princípios, mas ocultando fins”,

“Este não foi o debate de um país que tem o maior desafio estratégico externo dos últimos 80 anos e que tem um Governo que lidera, que está a transformar com resultados económicos e sociais para apresentar, ao fim de oito anos de nação socialista. Este não foi o debate de que o país carece e que Portugal merece”, lamentou. “Vieram para aqui fomentar a instabilidade, que pode interromper o ciclo de crescimento económico, de valorização salarial com a concertação social, de valorização dos pensionistas, de valorização das carreiras”, acusou.

O dirigente do PSD deixou, no entanto, uma garantia sobre o cenário das eleições antecipadas, parafraseando uma frase célebre do antigo presidente dos EUA George H.W. Bush – “Read My lips”. “Leiam os meus lábios. Leiam bem os nossos lábios. Com moções de censura, com votos de confiança, o que aconteça, o que acontecer, o primeiro-ministro não desiste, não vai desistir. O Governo não desiste, não vai desistir. O PSD e o CDS não desistem, não vão desistir”, assegurou.

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