Montenegro vai apresentar moção de confiança e antecipa queda do Governo: "Mais vale dois meses de suspensão da estabilidade política do que um ano e meio de degradação e paralisia”
Primeiro-ministro admite que sabe que "a antecipação de eleições não é desejável, mas será um mal necessário para evitar a degradação das instituições e a perda da estabilidade política por vontade de alguns agitadores"
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou esta quarta-feira que o Governo vai apresentar a proposta de uma moção de confiança, uma vez que considera que não ficou claro que os partidos dão ao Executivo condições para continuar.
"Não ficando claro, como resulta das intervenções dos maiores partidos da oposição, que o Parlamento dá todas as condições ao Governo para executar o seu programa, avançaremos para a última oportunidade de o fazer que é a aprovação de um voto de confiança", afirmou Luís Montenegro, na Assembleia da República, na abertura do debate da moção de censura ao Governo apresentada pelo PCP 12 dias de responder a outra do Chega.
"Só aceito estar aqui devidamente legitimado", disse o primeiro-ministro, aplaudido pela bancada do PSD. "Se o Parlamento não legitima o Governo, terá de ser o povo a clarificar a sua vontade e dizer aos seus representantes o que quer para o seu futuro".
Montenegro defendeu que "o país não pode ficar prisioneiro do egoísmo e do taticismo dos responsáveis da oposição”. “Não estamos disponíveis para aqui estar na atmosfera das insinuações e intrigas permanentes que só têm um objetivo: a degradação da vida política e governativa com a pretensão de daí tirar dividendos partidários ou mesmo individuais para a concreta situação dos responsáveis dos partidos das oposições", acusou.
E acrescentou: "Por isso, não ficando claro como resulta das intervenções dos maiores partidos da oposição, que o parlamento dá todas as condições ao Governo para executar o seu programa, avançaremos para a última oportunidade de o fazer que é a aprovação de um voto de confiança”, afirmou.
Onze meses depois de o Governo minoritário PSD/CDS-PP ter entrado em funções, "a antecipação de eleições não é desejável, mas será um mal necessário para evitar a degradação das instituições e a perda da estabilidade política por vontade de alguns agitadores", disse Montenegro. "Numa palavra, se os partidos da oposição não assumem a legitimidade política do Governo para governar, mais vale dois meses de suspensão da estabilidade política do que um ano e meio de degradação e paralisia”, disse.
"Tenho a noção de que as pessoas em casa estão incrédulas”, admitiu Luís Montenegro. “No momento da clarificação cada um assumirá a sua responsabilidade, com coragem”, acrescenta.
