Montenegro diz-se alvo de "autêntico inquérito criminal" que "foi mais longe do que o normalmente admissível"

17 dez 2025, 20:45

Primeiro-ministro falou ao país no dia em que se soube que foi arquivada a averiguação preventiva à sua empresa familiar, a Spinumviva. Afirma que nunca foi avençado de ninguém "desde que chegou à presidência do PSD", apontou o dedo à imprensa e ao poder judicial e recusou-se no fim a responder a perguntas dos jornalistas

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Luís Montenegro considera que, mais do que uma averiguação preventiva, foi alvo de um “autêntico inquérito criminal” a propósito do caso Spinumviva. “O Ministério Público, coadjuvado pela Polícia Judiciaria, promoveu uma averiguação preventiva que, na prática, foi um autêntico inquérito criminal, tal foi o alcance das diligências efetuadas e os elementos probatórios apreciados”, disse o primeiro-ministro, a partir de Bruxelas, numa declaração ao país.

“Os visados aceitaram uma total inversão do ónus da prova e alguns elementos solicitados e disponibilizados esbarrariam no critério de um juiz de instrução, acaso carecessem da sua autorização”, criticou o primeiro-ministro. "Invoco a esse propósito a minha qualidade de advogado com prática forense para poder atestar que, em certo sentido, se foi mais longe do que o normalmente admissível num inquérito."

Montenegro enumerou tudo o que foi analisado nesta averiguação, desde os movimentos e extratos bancários do próprio, da sua mulher e dos seus filhos, até à análise de todos os dados relativos à Spinumviva “desde a sua fundação até ao momento”. O primeiro-ministro alegou, em jeito de conclusão, que exerceu “sempre a função de primeiro-ministro em regime de exclusividade” e que nunca foi “avençado de ninguém” desde que foi “eleito presidente do PSD”.

“Tudo o que decidi em cargos públicos foi atendendo ao interesse nacional e nunca decidi o que quer que fosse em função de nenhum interesse particular. (…) Nem eu nem a minha família obtivemos qualquer vantagem indevida ou qualquer incremento patrimonial ilícito”, garantiu.

O primeiro-ministro apontou o dedo à imprensa e ao poder judicial, “essenciais à democracia” mas que devem “funcionar com regras” e não utilizar “expedientes e muitas vezes conluios para exibir histórias mal contadas, que afinal de contas as autoridades competentes confirmam que não são verdade”.

“Esperei com tranquilidade este dia. Digo mesmo: com muita tranquilidade. É verdade, sofrendo por ver os meus sofrer, mas imensamente tranquilo”, afirmou.

Montenegro enumerou várias razões pelas quais Portugal podia ser “mais próspero, mais justo e mais feliz” e diz que espera que o país desenvolva “uma cultura de maior autoestima, maior confiança, maior exigência" - "uma mentalidade vencedora, com ética no trabalho e foco no resultado”.

“É para isso que aqui estou, com toda a energia. E aqui estaria em qualquer circunstância”, concluiu. E foi embora, recusando-se a respoder a perguntas.

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