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Pedro Nuno diz que "é fundamental perceber que o senhor-primeiro-ministro não ficou a dever favores a ninguém"

28 fev 2025, 13:03
Pedro Nuno Santos (António Cotrim/Lusa)
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Líder do PS quer saber quem foram e quem são os clientes da empresa

O secretário-geral do Partido Socialista (PS) insiste que o primeiro-ministro deve prestar "todos os esclarecimentos" sobre a atividade da Spnumviva, empresa que, salienta, "é de Luís Montenegro" e não da sua família.

"Nunca esteve em causa o direito a ter uma empresa, o que acontece é que para todos nós, para a maioria dos portugueses, o senhor primeiro-ministro era apenas um advogado e descobrimos entretanto que também era empresário, daí que seja fundamental que sejam prestados todos os esclarecimentos", defende Pedro Nuno Santos.

Pedro Nuno Santos insiste, por isso, que Luís Montenegro deve esclarecer várias questões, desde logo "quais foram e quem são os clientes da empresa" Spinumviva e "quais são os serviços que foram prestados a estas empresas e por que preço".

Essas respostas são "fundamentais" para "perceber que o senhor-primeiro-ministro não ficou a dever favores a ninguém", salienta o líder socialista.

Além disso, acrescenta, é preciso saber "quem é que presta os serviços da empresa, nomeadamente desde a altura em que Luís Montenegro se afastou" da mesma, "e já agora que preço foi pago a quem presta os serviços". "Com toda a honestidade, não se perspetiva que tenham sido os sócios" a prestar esses serviços, diz, referindo-se à esposa e aos filhos do primeiro-ministro.

Por fim, Pedro Nuno Santos quer saber "quais as razões para a explosão da faturação em 2022 (141 mil euros)", ano em que Luís Montenegro "decide afastar-se da empresa e ano em que é candidato á liderança do PSD", lembra.

"Isto não é nenhuma perseguição a um empresário, aliás, nem sabíamos que era empresário", observa o secretário-geral do PS, apelando também a que se "deixe de falar de uma empresa familiar". "É uma empresa do primeiro-ministro, é uma empresa de Luís Montenegro, e não há cá extinção da empresa que resolva o problema", argumenta.

Questionado sobre qual é a posição do PS sobre esta polémica, Pedro Nuno coloca o ónus nos esclarecimentos de Luís Montenegro. "Estamos à espera que dê todas as explicações, que não restem suspeitas". Para o dirigente socialista, a questão "não é o que o PS vai fazer, mas sim o que o primeiro-ministro vai fazer", remetendo conclusões do PS para depois de serem prestados todos os esclarecimentos.

Pedro Nuno reage assim às notícias de que o primeiro-ministro trabalhou para o grupo Solverde entre 2018 e 2022 e, depois, vendeu a sua parte da empresa à mulher, mas a ligação entre o grupo de casinos e a Spinumviva mantém-se até hoje. 

O grupo Solverde adiantou ao Expresso, numa nota a que a CNN Portugal também teve acesso, que paga à Spinumviva, a empresa da família de Luís Montenegro, uma avença mensal de 4.500 euros desde julho de 2021 a troco de um conjunto de “serviços especia­lizados de com­pliance e definição de procedimentos no domínio da proteção de dados pessoais”.

A ligação ganha relevo, explica o semanário, porque o atual primeiro-ministro trabalhou para a Solverde, grupo de casinos e hotéis sediado em Espinho, entre 2018 e 2022 (ano em que assumiu a presidência do PSD), tendo sido o representante do grupo nas negociações com o Estado que resultaram numa prorrogação do contrato de concessão dos casinos de Espinho e do Algarve.

Esse contrato de concessão termina no final deste ano e o Governo terá de decidir se vai continuar ou não. De acordo com o Expresso, o primeiro-ministro garante que pedirá escusas no geral, mas não revela a lista de incompatibilidades.

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