Montenegro "atónito" com críticas à operação no Martim Moniz (e não só). E invoca "aqueles países" que deixaram de ser seguros - mas recusou dizer quais

27 dez 2024, 12:39

 

 

Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Primeiro-ministro argumenta que "é incorreto, é impróprio, é indesejável" dizer-se que em Portugal há "ações policiais dirigidas a comunidades específicas"

Para Luís Montenegro, "a segurança não é nem de esquerda nem de direita". "A segurança é um bem da pessoa e da sociedade. E é um bem que convém preservar." O primeiro-ministro deu posse esta sexta-feira, na residência oficial em São Bento (Lisboa), ao secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), o embaixador Vítor Sereno, e à secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI), magistrada Patrícia Barão, e aproveitou para abordar as críticas de que tem sido alvo pela operação policial no Martim Moniz: "Não atirem pedras ao Governo pela autodesignada 'operação do Martim Moniz'", afirmou.

"Devo confessar que me encontro atónito, muito perplexo, com as reações que têm aparecido na discussão pública a propósito do esforço do Estado em garantir a tranquilidade das pessoas, em garantir uma prevenção de condutas criminais, em garantir uma plena integração dos nossos imigrantes", disse. "Acho impróprio considerar isto uma expressão de governação extremista." E insistiu: "Fico, de facto, perplexo quando ouço determinados argumentos que são de todo em todo inusitados e injustificados".

Para o primeiro-ministro, a segurança do país "não é uma ideia política do ponto de vista do pensamento", mas sim "uma ideia política do ponto de vista do interesse da base do regime, para que depois cada um pense da maneira que quiser". "Quem tem uma visão diferente desta está, de facto, num dos dois extremos. Dos extremos demasiado securitários, ou apenas securitários, ou dos extremos mais líricos, segundo o qual nós até podíamos prescindir quase de ter forças de segurança. Em segundo lugar, devo dizer-vos que também me parece completamente incorreta a ideia de que se possa considerar essas operações como dirigidas em concreto a determinadas pessoas provindas, porventura, de países estrangeiros que estão circunstancialmente em Portugal ou com o intuito de aqui se estabelecerem de forma permanente. É injusto e desrespeita a base de um debate sério."

Garantindo que "não há em Portugal nenhuma ação policial dirigida a nenhuma comunidade específica", Montenegro asseverou que "é incorreto, é impróprio, é indesejável" que tal seja sugerido, até porque "somos um país que precisa de imigrantes e que, ao querer regular a sua entrada e permanência em Portugal, lhes quer garantir a sua dignidade".

O primeiro-ministro sustentou ainda que "este Governo não quer nem vai instrumentalizar as forças de segurança". "E, pior do que isso, eu creio que toda a gente percebe que as próprias forças nunca se deixariam instrumentalizar", afirmou, acrescentando que "sim, é verdade, o Governo estará ao lado dos profissionais que prestam serviço na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária, em todos os serviços do Estado que garantem a legalidade ou respeitam pelas regras de convivência social".

Luís Montenegro argumentou que "Portugal é um dos países mais seguros do mundo" mas que "não é apenas dizendo que nós vamos continuar a sê-lo - é tendo ações tendentes a evitar que aconteça em Portugal o que já aconteceu noutros países". "Olhem para aqueles países que há uma década tinham uma determinada performance e que hoje têm problemas complexos de criminalidade. Olhemos para esses exemplos, para nos inspirarmos e anteciparmos a possibilidade de nós podermos ver o nosso ranking também a piorar." O primeiro-ministro recusou-se a identificar que países são esses "por respeito aos respetivos povos e governos".

De acordo com o Index Global da Paz de 2024, Portugal está em sétimo lugar na lista dos países mais seguros (caiu um lugar comparado com o ano anterior), atrás de Islândia, Irlanda, Áustria, Nova Zelândia, Singapura e Suíça e à frente de Dinamarca, Eslovénia e Malásia. Em 2014, o mesmo Index tinha em primeiro lugar a Islândia, seguida de Dinamarca, Áustria, Nova Zelândia, Suíça, Finlândia, Canadá, Japão, Bélgica e Noruega. Portugal surgia apenas em 18.º lugar.

Ou seja, o primeiro lugar continua a pertencer à Islândia, mas o top 10 de países mais seguros do mundo sofreu alterações com países como a Bélgica e o Japão a caírem para o 16.º e 17.º lugar, respetivamente.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Governo

Mais Governo