Primeiro-ministro revela que mais de 1.200 agricultores e cerca de 1.200 empresas já apresentaram pedidos de ajuda, sendo que disponibilidade financeira associada a estes apoios ultrapassa os 350 a 400 milhões de euros
O primeiro-ministro esteve esta sexta-feira de manhã em Santarém, onde foi sem se fazer anunciar, de forma a "ver no terreno como as operações estão a decorrer".
"Eu quis vir até sem avisar, embora correndo o risco, como aconteceu, de me cruzar convosco [jornalistas], mas eu quis vir sem nenhum aviso prévio, saber no terreno exatamente como é que essa operação está a decorrer e ter a garantia de que nós não deixamos mesmo de tomar medidas preventivas para salvaguardar a vida daqueles que estão nas zonas mais expostas, nas zonas ribeirinhas, nas zonas onde há cursos de água", afirmou Luís Montenegro aos jornalistas, num pavilhão onde estavam dezenas de pessoas que foram tiradas das zonas em risco.
Questionado sobre os apoios que vão ser atribuídos às populações atingidas pelas tempestades, Montenegro garantiu que a principal prioridade "é salvaguardar a vida". "Nós temos aqui uma prioridade que está acima de todas as outras, que é salvaguardar a vida das pessoas, salvaguardar o bem-estar dos portugueses. Nós sabemos que esta intempérie traz muitos prejuízos materiais, traz muitos prejuízos económicos e esses têm de ter uma resposta do Governo e nós temos vindo a comunicá-la. Mas antes disso há a vida das pessoas, isso é determinante", afirmou, acrescentando que têm de ser feitas "avaliações permanentes" para perceber se os apoios são ou não suficientes.
O primeiro-ministro sublinhou ainda a necessidade de convencer os moradores que resistem a abandonar as suas casas em zonas de risco, garantindo que a prioridade é "salvaguardar vidas". “Teremos de usar todos os argumentos para sensibilizar as pessoas, para elas compreenderem que nós estamos a tratar de garantir e salvaguardar as suas vidas, o seu bem-estar, a sua segurança."
Luís Montenegro reconheceu o apego das populações às suas casas e rotinas, mas alertou para a gravidade da situação. “Temos de alertar que, desta vez, a situação é mais grave. Temos de chegar lá com as nossas indicações da Proteção Civil para a evacuação, é mesmo necessário”, disse, acrescentando que serão mobilizadas forças de segurança, equipas municipais e apoio psicológico, com meios dos ministérios da Segurança Social e da Saúde já no terreno.
Questionado sobre o apelo do presidente da Câmara de Santarém, que considera não existirem condições para eleições em pelo menos duas mesas de voto, o primeiro-ministro manifestou disponibilidade total do Governo. “Tudo aquilo que nós pudermos fazer para garantir a normalidade possível para se realizarem as eleições - e quando digo possível é condições de segurança no sítio onde se vota e condições de segurança no acesso a esses locais - deve ser feito."
Ainda assim, lembrou que a democracia prevê respostas a situações extremas. “Se houver situações de limite em que essas condições não estejam salvaguardadas, a lei determina que a eleição possa ser realizada oito dias depois e eu aquilo que naturalmente espero é que essas situações sejam poucas e sejam mesmo situações de limite.”
O primeiro-ministro afirmou que a prioridade do Governo continua a ser a gestão das situações de emergência provocadas pelas cheias em várias regiões do país, sem esquecer o apoio às populações ainda afetadas por fenómenos meteorológicos anteriores.
Montenegro sublinhou que, em paralelo com a resposta imediata, o Executivo está no terreno a apoiar a recuperação e que já há "cerca de 450 pessoas que recorreram à plataforma para aceder ao apoio para recuperação de casas". O chefe do Governo adiantou ainda que mais de 1.200 agricultores e cerca de 1.200 empresas já apresentaram pedidos de ajuda.
"Já temos hoje cerca de 450 pessoas que recorreram à plataforma para aceder ao apoio que está disponibilizado, em termos de agricultores já há mais de 1200, em termos de empresas também cerca de 1200, estamos a falar já numa disponibilidade financeira que ultrapassa os 350, 400 milhões de euros."
Luís Montenegro destacou também o papel dos Espaços do Cidadão no apoio às candidaturas. “Temos 275 Espaços do Cidadão abertos e disponíveis para ajudar as pessoas a preencher os formulários”, referiu, acrescentando que já estão no terreno seis unidades móveis para reforçar este apoio local.
Questionado sobre a importância do apoio europeu, o primeiro-ministro garantiu que o Governo está "a usar todos os instrumentos e usará todos os instrumentos financeiros para poder naturalmente fazer face a um nível de prejuízos que já ultrapassou os 4 mil milhões de euros”, afirmou, apontando para recursos do Orçamento do Estado, fundos europeus, incluindo o PRR, e contatos permanentes com as instituições europeias.