Montenegro desafia Costa: usar excedente dos impostos para aumentar apoios às famílias

19 jul, 23:29

Em causa está a subida da inflação e o apoio de 60 euros criado pelo Governo para as famílias com menor poder de compra poderem fazer face à subida dos preços dos alimentos. O novo presidente do PSD diz que há muita margem para pagar o dobro, durante mais meses e incluir mais famílias. E prometeu seguir uma postura fiscalizadora: "Não vamos dar descanso ao Governo"

O presidente do PSD, Luís Montenegro, defende que o Governo deve devolver às famílias mais pobres o máximo possível do excedente orçamental causado pela inflação. “A grande responsabilidade do Estado é aproveitar este excedente e fazer o retorno à sociedade”, afirmou na CNN Portugal, na primeira entrevista enquanto líder social-democrata.

Montenegro acusou o primeiro-ministro, António Costa, de levar a cabo uma “conduta social e política imoral” perante um aumento da receita fiscal entre 3500 e 7000 milhões de euros acima do esperado inicialmente pelo Governo. "Diminuir o défice e a dívida eram opções" mas o sucessor de Rui Rio preferiria seguir noutra direção.

Uma das sugestões deixadas pelo líder do maior partido da oposição é de que o Governo possa levar ainda mais além o apoio de 60 euros para compensar o aumento dos preços dos bens alimentares. Por três vias: estendendo-o até ao final do ano, duplicando o valor ou alargando-a a mais famílias para lá das 1,07 milhões que o receberam em abril e maio.

Montenegro explicou mesmo que, se o Governo duplicasse para 120 euros, a medida teria um custo de 500 milhões de euros até ao final do ano – longe da perspetiva de encaixe fiscal com a subida de inflação, no mínimo com 3500 milhões de euros. “Não estamos a pedir um esforço especialmente robusto ao Estado”, argumentou.

“Há uma grande imoralidade do Governo. O Governo está a ganhar muito dinheiro com esta crise inflacionista”, insistiu o social-democrata.

PSD dá visão sobre o aeroporto esta semana. Mas avisa: quem decide é Costa

Na entrevista à CNN Portugal, Luís Montenegro adiantou ainda que se reunirá “no final desta semana” com António Costa para falar sobre o novo aeroporto, tema onde o primeiro-ministro diz querer a opinião do líder da oposição antes de tomar uma decisão – originando uma divergência pública com o ministro Pedro Nuno Santos, que veio anunciar a solução de avançar conjuntamente com Montijo e Alcochete à revelia do chefe de Governo e acabou a recuar.

“Prometi dar em primeira mão ao primeiro-ministro a nossa visão”, respondeu Montenegro. O social-democrata insistiu que não se devem “inverter as coisas”, porque cabe ao Governo socialista a palavra final: “Uma coisa é dialogar com o maior partido da oposição. Outra coisa é deixar de decidir. Quem tem de decidir é o Governo e o primeiro-ministro. Não há dúvidas quanto a isso”.

“O assunto deve ter um tratamento prioritário, já devia estar resolvido. O Governo foi incompetente quer do ponto de vista da decisão, quer dos atos preparatórios da decisão”, afirmou.

“Não vamos dar descanso ao Governo”

Com o país a enfrentar os efeitos dos incêndios, Montenegro aproveitou para lamentar a postura de António Costa, que tem insistindo na responsabilização dos cidadãos. “Tenho muita dificuldade em ouvir e ver um primeiro-ministro que está constantemente a culpar os outros por responsabilidades que ele tem de assumir”, afirmou.

“Sabíamos que havia uma onde de calor a caminho. Sabíamos que havia muitas coisas que tinham sido prometidas fazer que não estava a ser executadas, nomeadamente a reforma florestal”, exemplificou.

O novo presidente do PSD defendeu que os incêndios de Pedrógão Grande, em 2017, deveriam “ter sido um ponto de viragem do ponto de vista da prevenção”. E que, por esse motivo, o Governo não pode deixar de ser responsabilizado.

“Não fomos mandatados para governar. Fomos mandatados para escrutinar e fiscalizar o Governo. Não vamos dar descanso ao Governo. O senhor primeiro-ministro pode tentar escapar às suas responsabilidades da maneira que entender”, avisou Montenegro.

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