"O que seria estranho era que não houvesse fiscalização": Montenegro admite que auditoria à PJ e a Luís Neves foi "codecidida" pelo Governo

10 ago, 12:14
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As declarações surgiram após ser questionado sobre a auditoria à PJ e sobre as recentes declarações da ministra da Justiça, Rita Júdice

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu esta segunda-feira a realização de uma auditoria à Polícia Judiciária (PJ), considerando que seria “estranho” não haver fiscalização perante as dúvidas que têm sido levantadas sobre a atuação da instituição.

“Creio que o que seria estranho era que não houvesse fiscalização, que não houvesse auditorias cujo objetivo é clarificar e detetar desconformidades”, afirmou em Fafe, onde esta manhã esteve presente na inauguração de uma Loja do Cidadão.

As declarações surgiram após ser questionado sobre a auditoria à PJ e sobre as recentes declarações da ministra da Justiça, Rita Júdice, que garantiu que não permitiria que a polémica em torno do antigo diretor nacional da PJ, Luís Neves, afetasse a credibilidade da instituição. O primeiro-ministro confirmou que a decisão foi acompanhada pelo Governo e resultou de uma decisão conjunta entre o chefe do Executivo e os ministros responsáveis por cada área.

“Com certeza que todas essas decisões foram acompanhadas e, no fundo, co-decididas entre o primeiro-ministro e os ministros do Governo, cada um nas suas áreas setoriais. E eu espero que todos entendam que é precisamente tirando a limpo tudo aquilo que são situações que têm vindo a público que nós podemos credibilizar as instituições e a vida do país”, referiu aos jornalistas.

Ainda em Fafe, o chefe de Governo rejeitou a ideia de que a auditoria possa contribuir para descredibilizar a PJ e defendeu uma abordagem mais consensual. “Eu creio que estamos numa altura da nossa vida enquanto comunidade em que devemos ver as coisas com um espírito um pouco mais consensual”.

Segundo o governante, a fiscalização pode servir para “clarificar e detectar desconformidades, se for o caso”, ou, pelo contrário, “comprovar a regularidade daquilo que foram decisões tomadas ao longo dos últimos anos”.

Questionado sobre a possibilidade de a PJ estar a ser utilizada, o primeiro-ministro respondeu que não partilha dessa interpretação. “Eu respeito a forma como cada um vê as coisas e as questões que são colocadas, mas acho que nós temos sempre uma tendência para ver as coisas num plano que não é o plano correto”, afirmou, acrescentando que "é preciso entender, com tranquilidade, que quando há dúvidas elas devem ser desfeitas, e é isso que nós estamos a fazer, com tranquilidade, com serenidade e com confiança.”

Na mesma intervenção, Montenegro procurou afastar uma leitura negativa sobre o momento do país, destacando indicadores económicos como o crescimento, as exportações, o emprego e os rendimentos. “Sempre que aparece uma notícia assim um bocadinho mais ao lado, parece que está tudo mal, não está”, sublinhou.

O governante reconheceu, contudo, a existência de dificuldades sentidas pelos portugueses, nomeadamente no acesso ao Serviço Nacional de Saúde, nas escolas, no acompanhamento da população mais idosa e nos custos dos combustíveis.

“Isso são problemas que existem e nós sentimos-los, nós acompanhámos-los, nós tentamos mitigá-los”, admitiu, lembrando que “outra coisa é nós perdermos o Norte.” Para o Luís Montenegro, Portugal atravessa, apesar das adversidades internacionais, um período de maior competitividade face aos seus parceiros, que deverá ser aproveitado para reforçar o emprego, os salários e as pensões.

As declarações aconteceram poucos minutos depois de a ministra da Justiça, Rita Júdice, ter garantido esta segunda-feira que não irá permitir que a polémica em torno do antigo diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, afete a confiança dos portugueses naquela instituição. As declarações surgem depois de, na semana passada, ter determinado uma auditoria à PJ pela Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) e uma avaliação interna à liderança do então diretor nacional.

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