Encontro teve lugar depois de o Presidente da República ter revelado que não gostou de não ter sido informado atempadamente por Montenegro acerca do conteúdo da sua comunicação ao país
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, reuniram-se esta terça-feira no Palácio de Belém, de acordo com uma nota da Presidência da República.
"O Presidente da República reuniu [sic] com o Primeiro-Ministro, ao fim da tarde de hoje, no Palácio de Belém", diz o comunicado, que não detalha o tema da reunião nem a duração da mesma.
A reunião entre Marcelo e Luís Montenegro realizou-se na véspera do debate, no parlamento, da moção de censura do PCP
O primeiro-ministro tem estado na mira da oposição nas últimas semanas devido à empresa da família, a Spinumviva. Nomeadamente, depois de se saber que a empresa recebia uma avença de 4.500 euros da Solverde.
Antes de ser presidente do PSD, Montenegro chegou a representar esta empresa nas negociações com o Estado que resultaram numa prorrogação do contrato de concessão dos casinos de Espinho e do Algarve, que terá de ser renegociada em 2025.
Na comunicação que fez ao país, Montenegro clarificou que pedirá escusa em todos os assuntos que possam configurar "conflito de interesses", tal como este.
A relação entre São Bento e Belém tem estado tensa depois dessa declaração ao país no passado sábado, uma vez que o primeiro-ministro não afirmou atempadamente Marcelo Rebelo de Sousa sobre o conteúdo da sua intervenção.
Marcelo dirigiu-se para o Palácio de Belém durante a tarde, na expectativa de um telefonema de Montenegro, que só aconteceu meia hora depois da comunicação ao país.
À SIC, o Presidente da República lamentou que Montenegro não lhe tenha ligado antes de falar ao país. E explicou que, quando Montenegro ligou, não atendeu.
“O primeiro-ministro tem direito de não ligar, mas podia ouvir a minha opinião”, afirmou.
Na mesma notícia, lia-se que Marcelo Rebelo de Sousa considerou este um comportamento habitual de Montenegro: deixar tudo para o último segundo, ser pessoal nas decisões e não ouvir Belém.